Contra a verdade não temos poder algum; temo-lo apenas em prol da verdade. (II Coríntios 13,8)

sábado, 1 de novembro de 2008

Autoridade e “autoridades”

Sidney Silveira

Qualquer principiante no estudo da obra de Santo Tomás sabe que o argumento de autoridade não vale nada, razão pela qual não devemos escorar-nos em uma autoridade humana como se isto nos garantisse a posse da verdade, pois “não importa quem diz, mas a validade do que se diz”. As únicas autoridades que o Doutor Angélico aceita são a da Sagrada Escritura e a do Magistério da Igreja; aquela porque foi revelada, e este porque foi participado pelo próprio Cristo e, portanto, não pode errar em artigos de fé e doutrina, dada a sua origem divina. [“Ide e ensinai a todas as nações”, cf. Mateus, XXVIII, 19]

Esse Magistério da Igreja participado pelo próprio Cristo sempre possuiu órgãos autênticos e órgãos subsidiários. Vejamos alguns deles, seguindo de perto a enumeração do Padre Álvaro Calderón, um simples teólogo (e, como veremos, um teólogo não tem autoridade magisterial, embora possa ter alguma autoridade teológica, se porventura não contraria o Magistério).

1- ÓRGÃOS AUTÊNTICOS DO MAGISTÉRIO

A) O Papa, no qual reside a suprema autoridade apostólica. Aqui, há uma divisão que deve ser feita:

a.1) O Papa sozinho;
a.2) O Papa e os Bispos reunidos em Concílio.

B) Os Bispos em comunhão com o Papa, mestres ex officio da suprema autoridade apostólica. Distingamos, também aqui, as situações.

b.1) Os Bispos dispersos pelo mundo, quando fazem uma declaração comum acerca de algum aspecto da doutrina revelada (e não sobre política ou outro assunto qualquer);
b.2) Os Bispos sozinhos, no âmbito de suas dioceses.

2- ÓRGÃOS SUBSIDIÁRIOS DO MAGISTÉRIO

A) Papais: Congregações Romanas, Comissões Pontifícias, Delegados Apostólicos, etc. Aqui também há distinções, pois esses órgãos em geral são compostos por:

a.1) Teólogos e peritos em ciências eclesiásticas;
a.2) Catequistas.

B) Episcopais: Conselhos de Presbíteros, Comissões Diocesanas, Curas, Párocos, etc.

b.1) Aqui também se encontram, na base, os simples fiéis, os pais de família e os peritos em ciências naturais que possam auxiliar a defesa da fé — caso, por exemplo, do biólogo norte-americano Michael Behe, que, com o seu conceito de complexidade irredutível, refutou, em seu foro científico específico, a teoria evolucionista. Mas esta é uma conversa para outro post.

Como vimos, um teólogo não tem autoridade magisterial nem em sentido pleno (que só o Papa possui) nem de modo não pleno (caso dos Bispos), pois a sua tarefa é subsidiária; por isso, se ele contraria a regra próxima e necessária da fé (ou seja, o Magistério infalível, tanto ordinário [pois o há, em alguns casos] como extraordinário), não só não possui autoridade magisterial, mas sequer possui a mínima autoridade teológica. O bom mesmo é que seja refutado, para que os seus erros não se propaguem e contaminem a fé, pondo em risco a salvação das almas — caso, por exemplo, do teólogo suíço Urs von Balthasar, que afirmara desgraçadamente que o inferno está vazio, ou melhor: está cheio de pecados, mas não de pecadores (sic.). Ou ainda o caso de teólogos que afirmam que o inferno não é um lugar, mas um estado. A teólogos defensores de tais “teses”, o Papa atual, Bento XVI, em recente alocução na Praça de S. Pedro, bem no começo da Quaresma deste ano (em 08/02), deu uma bela e firme resposta, ao dizer com todas as letras e com a sua autoridade: O inferno está cheio e é um lugar!

Aqui vale perguntar: no que se refere a qualquer artigo de fé, vale mais o parecer do Papa — no qual reside a autoridade apostólica de modo pleno — ou o de um teólogo, que, como mostramos, trabalha em algo importante, mas absolutamente subsidiário?

Ademais, nunca é demais lembrar que hoje há teólogos de todas as linhas e sabores: há por exemplo os que defendem o poligenismo (ou seja: afirmam que não existiram Adão e Eva, mas uma multidão de primeiros pais — tese que torna o pecado original teologicamente irresolvível, pelos problemas que traz) e o naturalismo (estes excluem a causa sobrenatural e afirmam coisas verdadeiramente portentosas, como por exemplo a seguinte: o Mar Vermelho foi dividido por um fenômeno natural ocorrido no exato momento em que Moiséis dizia dividi-lo — o que é, na verdade, incrível, literalmente).

Portanto, aconselho a todos os vários amigos — antigos e recentes — que nos têm brindado com visitas cotidianas ao blog: estudem com grande afinco, e continuamente, o Magistério da Igreja e os Santos Doutores (que aliás assim o foram proclamados pelo próprio Magistério!), antes de dar crédito a qualquer teólogo, por mais criativo e erudito que pareça ser.

Um comentário:

fedemaisnaocheirabem disse...

Vamos aos fatos:

Crise do arianismo na Igreja.

Quem foi contra a fé?

Quem foi a favor do dogma e o defendeu a ponto de ser exilado?

Quem fez o agionarmento na Igreja?

Os Santos são homens que pouco se dão valor em vida (santo de casa não faz milagres).


Menosprezar um teólogo que luta pela conservação da fé e pelo dogma, em detrimento a submissão cega a uma autoridade que no conclave já se sabia o resultado antes mesmo de escolher...

Não me parece sensato.

Ai daqueles que ao bem chamal mal e ao doce chamam de amargo.

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