Contra a verdade não temos poder algum; temo-lo apenas em prol da verdade. (II Coríntios 13,8)

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Funções da Linguagem


Por Letras e Ciência


No contexto da Linguística, entende-se função como “o propósito pelo qual uma expressão ou unidade de linguagem é usada. [...]”1

Em via de regra, aprende-se nos livros didáticos o modelo que contém os principais elementos envolvidos na comunicação (referente, remetente, mensagem, destinatário, canal e código) e as funções de linguagem centradas em cada elemento (respectivamente: referencial, emotiva, poética, conativa, fática, metalinguística).

Ver tabela:
Elementos da Comunicação
Funções da Linguagem
Contexto (referente)
Referencial
Remetente
Emotiva
Mensagem
Poética
Destinatário
Conativa
Contato (canal)
Fática
Código
Metalinguística


Também, ao ser ensinado, deixa-se claro que num dado texto mais de uma função da linguagem pode estar presente ou predominar.

No entanto, por falta de atribuir valor às funções, deixa-se também a impressão de que elas têm igual valor, possivelmente resultado da filosofia igualitarista: todos são iguais, não há melhor nem pior.
Assim, pretendo estabelecer aqui uma relação hierárquica entre as funções da linguagem, não as colocando a mesmo nível.

Como estamos tratando da linguagem humana, devemos começar enunciando a natureza do homem: o homem é um ser composto de corpo material e alma espiritual. Sem detalhes antropológicos, psicológicos, filosóficos, dizemos que a sua razão está relacionada à sua alma espiritual, ao passo que as suas emoções são fenômenos do corpo material.

Sem dificuldades, estabelecemos uma relação entre função referencial erazão, entre função emotiva e emoções. Ou ainda, nos textos onde se nota a função referencial, sem dúvida se trata de uma elaboração racional, enquanto que, nos textos onde se nota a função emotiva, existe uma expressão de emoções e sentimentos.

À primeira vista, ambas as funções poderiam ser de igual importância ou até uma de existência independente da outra, mas como são funções da linguagem do homem devem acompanhar a natureza do homem.

Visando a colocá-las em relação apropriada ao homem, é preciso considerar a relação que as paixões da alma têm com a razão. “As paixões da alma, quando contrárias à ordem da razão, inclinam para o pecado; ordenadas porém pela razão, auxiliam a virtude.”2 Assim, as emoções do homem devem estar subordinadas aos ditames da razão. Isso quer dizer, amor, medo, dentre outros, devem estar conforme a razão. Por exemplo, aquele que ama, ama um bem; aquele que teme, teme um mal. Não se deve amar um bem mais do que merece, como o caso de idolatria, ou temer um mal mais do que o devido, como uma fobia.

De qualquer modo, o homem deve controlar as suas emoções e os seus sentimentos de acordo com a verdade conhecida pela razão, sendo que se se entregar às emoções, aos apetites do corpo, desprezando-se a sua realidade racional, estará agindo de modo semelhante aos animais, que são irracionais; ou ainda, contrariando a sua natureza humana, por estar se movendo apenas pelo corpo, ignorando a razão.

Desta forma, podemos perceber que a função referencial tem importância maior que a função emotiva, pois esta não deverá ser usada puramente, ignorando-se o aspecto racional do texto (característica da função referencial), de modo que, neste caso, se estaria agindo de uma maneira não natural. Portanto, os textos que apresentam os traços de subjetividade característicos da função emotiva, devem apresentar alguma elaboração racional (e na prática em maior ou menor grau costumam apresentar, senão teriam ininteligibilidade total) como retratação clara dos sentimentos, e não obscura; valorização correta sua, e não divinização; etc; não devendo ser o texto com função emotiva predominante um que esteja expressando apenas impulsos da sensibilidade, de modo a não haver nexo lógico entre as ideias expressas pelas palavras, conforme não raro lemos em blogs.

“[...] De comum acordo, reconhece-se como a mais importante a função referencial, ou cognitiva, ou denotativa. A língua é, assim, considerada como tendo por finalidade permitir aos homens comunicarem informações. É a existência dessa função que permite descrever a língua segundo o esquema da teoria da comunicação. [...]”3

Na comunicação, situamos três elementos principais:
  1. O sujeito que fala;
  2. O interlocutor a quem se fala;
  3. O objeto de que se fala;
As funções da linguagem recaem sobre estes três elementos.

Podemos relacionar as seguintes funções com os seguintes aspectos do texto:
Função referencial - aspecto lógico;
Função emotiva - aspecto sensível;
Função poética - aspecto estético;
Função conativa e fática - aspecto social.
Função metalinguística - aspecto linguístico.

Notamos que na função referencial, poética e metalinguística, destaca-se o objeto de que se fala; na função conativa e fática, destaca-se o interlocutor a quem se fala; por fim, na função emotiva pode se destacar o sujeito que fala (quando exprime a própria emotividade), o interlocutor a quem se fala (quando trata da emotividade do interlocutor, em vez daquela do sujeito) e o objeto de que se fala (quando se discorre sobre emoções em geral).

No caso de função outrativa, aquela “[...] caracterizada pela divisão de uma personalidade num sujeito do conhecimento (o eu) e um objeto interno do ato de conhecer (o mim) [...]”4, sendo que o “mim” se converte em um “outro” para o “eu”, o “eu” e o “mim” assumirão os papéis de sujeito, de interlocutor ou de objeto. E no caso de função autoconativa, o sujeito e o interlocutor são figurados pela mesma pessoa.

Disso concluímos que:

- Uma mesma função pode não se referir a apenas um elemento no modelo de comunicação, como a função emotiva referir-se unicamente ao emissor, ou como a função metalinguística referir-se ao objeto de que se fala (a linguagem), mas referir-se ao interlocutor, no caso de este ser a língua, como uma personagem por exemplo, em comunicação com um sujeito.

- Mais de uma função da linguagem pode ser identificada em um texto em virtude de ser possível lidar com aspectos da realidade, como lógicos, sensíveis, sociais, etc, ao mesmo tempo.

- A função referente tem primazia sobre as demais, pois quer se esteja enunciando algo sobre estética, sensibilidade, sociabilidade, linguística, quer outro aspecto, as sentenças, escritas ou orais, pronunciadas pelo homem devem ser lógicas, racionais, isto é, devem se organizar de tal modo que se procure expressar a verdade, objeto da Lógica, a qual se compreende com a razão.


Referências bibliográficas:

1.       RICHARDS, Jack C.; SCHMIDT, Richard. Longman Dictionary of Language Teaching and Applied Linguistics. 3ª ed. Editora: Person Education Limited (2002). Pág. 214.
2.       DE AQUINO, Tomás. Suma Teológica.http://permanencia.org.br/drupal/node/1147, acesso em 11/07/2012.
3.       DUBOIS, Jean. Dicionário de Lingüística. 8ª ed. Editora: Cultrix (2001). Pág. 295.
4.       LOPES, Edward. Fundamentos da Linguística Contemporânea. Editora: Cultrix. Pág. 58.



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Adendo: Pois a sabedoria faz-se distinguir pela língua; o bom senso, o saber e a doutrina, pela palavra do sábio; e a firmeza, pelos atos de justiça. Não contradigas de nenhum modo a verdade, envergonha-te da mentira cometida por ignorância. (Eclo 4,29-30)

Quadro Sinóptico - De Deus


Por Catecismo da Igreja Católica



O Outono da Idade Média


Num mundo politicamente correto, gotas de bom senso e realidade de fatos:



O rolo compressor do Projeto Sarney



PRÓ-VIDA DE ANÁPOLIS


(Reforma do Código Penal pretende esmagar o que resta de valores cristãos)

Em 27 de junho de 2012, uma Comissão de Juristas entregou ao presidente do Senado, José Sarney, o anteprojeto de reforma do Código Penal. Seria de se esperar, que o texto fosse submetido à apreciação da sociedade para receber críticas e sugestões[1]. Isso, porém, não ocorreu. Em 9 de julho de 2012, apenas 11 dias depois, o Senador José Sarney subscreveu o anteprojeto convertendo-o em projeto de lei: o PLS 236/2012. Ao assinar o projeto, Sarney agiu de modo semelhante a Pilatos. Declarou-se, “por uma questão de consciência e religião”, contrário à eutanásia, ao aborto, ao porte de drogas e seu plantio para uso, mas não retirou nada disso do texto que subscreveu. Lavou as mãos, disse que era inocente do sangue de Cristo, mas decretou a sentença injusta. Favoreceu a presidente Dilma que, embora favorável ao aborto, havia prometido na campanha eleitoral não enviar ao Congresso qualquer proposta abortista.
O anteprojeto – agora convertido em projeto – foi muito mais audacioso que o de 1998. Pretendeu reformar não só a parte especial do Código Penal, mas também a parte geral e a imensa legislação penal extravagante. E tudo isso no curto prazo de seis meses![2] O resultado foi um conjunto de 544 artigos cheios de falhas graves.


Animais e pessoas

Segundo a linha ideológica do PLS 236/2012, o ser humano vale menos que os animais. A omissão de socorro a uma pessoa (art. 132) é punida com prisão, de um a seis meses, ou multa. A omissão de socorro a um animal (art. 394) é punida com prisão, de um a quatro anos. Conduzir um veículo sem habilitação, pondo em risco a segurança de pessoas (art. 204) é conduta punida com prisão, deum a dois anos. Transportar um animal em condições inadequadas, pondo em risco sua saúde ou integridade física (art. 392), é conduta punida com prisão, deum a quatro anos. Os ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre não podem ser vendidos, adquiridos, transportados nem guardados, sob pena de prisão, de dois a quatro anos (art. 388, §1º, III). Os embriões humanos, porém, podem ser comercializados, submetidos à engenharia genética ou clonados sem qualquer sanção penal, uma vez que ficam revogados (art. 544) os artigos 24 a 29 de Lei de Biossegurança (Lei 11.101/2005).


Terrorismo e invasão de terras

O terrorismo é criminalizado (art. 239). Mas as condutas descritas (sequestrar, incendiar, saquear, depredar, explodir...) deixam de constituir crime de terrorismo se “movidas por propósitos sociais ou reivindicatórios” (art. 239, §7º). Os invasores de terra são favorecidos, uma vez que “a simples inversão da posse do bem não caracteriza, por si só, a consumação do delito” (art. 24, parágrafo único).


Prostituição infantil

Atualmente comete estupro de vulnerável quem pratica conjunção carnal com menor de 14 anos (art. 217-A, CP). O projeto baixa a idade: só considera vulnerável a pessoa que tenha “até doze anos”. Isso vale para o estupro de vulnerável (art. 186), manipulação ou introdução de objetos em vulnerável (art. 187) e molestamento sexual de vulnerável (art. 188). Deixa de ser crime manter casa de prostituição (art. 229, CP) ou tirar proveito da prostituição alheia (art. 230, CP). Quanto ao favorecimento da prostituição ou da exploração sexual de vulnerável, a redação é ainda mais assustadora: só será crime se a vítima for “menor de doze anos” (art. 189). Deixa de ser crime, portanto, a exploração sexual de crianças a partir de doze anos.


Drogas

Quanto às drogas, somente o tráfico permanece crime (art. 212). Deixa de ser crime o consumo pessoal de drogas (art. 212, § 2º). Presume-se que a quantidade de droga apreendida destina-se a uso pessoal quando ela é suficiente para o consumo por cinco dias (art. 212, § 4º).


Aborto

Quanto ao aborto, o projeto reduz ainda mais as penas já tão reduzidas. O aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento, atualmente punido com detenção de um a três anos, passa a ter pena de prisão de seis meses a dois anos (art. 125). O terceiro que provoca aborto com o consentimento da gestante, atualmente punido com reclusão de um a quatro anos, passa a sofrer pena de prisão de seis meses a dois anos (art. 126). Se o aborto for provocado sem o consentimento da gestante, o terceiro é punido com prisão, de quatro a dez anos (art. 127). Curiosamente, ele recebe um aumento de pena de um a dois terços se, “em consequência do aborto ou da tentativa de aborto, resultar má formação do feto sobrevivente” (art. 127,§1º). Esse parágrafo parece ter sido incluído para estimular o aborteiro a fazer abortos “bem feitos”, evitando que, por “descuido”, ele deixe a criança com vida e má formada.
As maiores mudanças, porém, estão no artigo 128. Ele deixa de começar por “não se pune o aborto” e passa a começar por “não há crime de aborto”. O que hoje são hipóteses de não aplicação da pena (escusas absolutórias) passa a ser hipóteses de exclusão do crime. E a lista é tremendamente alargada. Basta que haja risco à “saúde” (e não apenas à “vida”) da gestante (inciso I), que haja “violação da dignidade sexual” (inciso II), que a criança sofra anomalia grave, incluindo a anencefalia (inciso III) ou simplesmente que haja vontade da gestante de abortar (inciso IV). Neste último inciso o aborto é livre até a décima segunda semana (três meses). Basta que um médico oupsicólogo ateste que a gestante não tem condições “psicológicas” (!) de arcar com a maternidade.


Eutanásia e suicídio assistido

“Matar por piedade ou compaixão” (eutanásia) passa a ser um crime punível com prisão, de dois a quatro anos (art. 122), muito abaixo da pena prevista para o homicídio: prisão, de seis a vinte anos(art. 121). Porém, o juiz pode reduzir a pena da eutanásia a zero, avaliando, por exemplo, “os estreitos laços de afeição do agente com a vítima” (art. 122, § 1º). Também o auxílio ao suicídio, em tese punível com prisão, de dois a seis anos (art. 123), pode ter sua pena reduzida a zero, nos mesmos casos descritos para a eutanásia (art. 123, §2º).


Renúncia ao excesso terapêutico

O artigo 122, § 2º parece inspirado na doutrina, aceita pela Igreja, de que o paciente pode renunciar a tratamentos desproporcionaisaos resultados, que lhe dariam apenas um prolongamento penoso e precário da vida[3]. A redação, no entanto, é infeliz: fala em deixar de fazer uso de meios “artificiais” para manter a vida do paciente em caso de “doença grave e irreversível”. Ora, a medicina é uma arte e todos os seus meios são artificiais. Do modo como está escrito, o parágrafo pode encobrir verdadeiros casos de eutanásia por omissão de cuidados normais devidos ao doente.


Infanticídio indígena

Há tribos indígenas que costumam matar recém-nascidos quando estes, por algum motivo, são considerados uma maldição. De acordo com o projeto, tais crianças ficam sem proteção penal, desde que se comprove que o índio agiu “de acordo com os costumes, crenças e tradições de seu povo” (art. 36).


“Preconceito” de gênero

De todos os males contidos no projeto, o mais difícil de corrigir são as cláusulas onde foi inserida aideologia de gênero, que considera o homossexualismo (e talvez também a pedofilia e a bestialidade) como uma legítima “opção” sexual ou “orientação” (ao invés de desorientação) sexual. O PLC 122/2006 (projeto anti-“homofobia”) da Senadora Marta Suplicy (PT/SP) foi todo inserido no PLS 236/2012. Está no alvo do projeto o bispo diocesano que não admite um homossexual no seminário ou que o afasta do seminário após descobrir sua conduta (art. 472, V), o dono de hotel que se recusa a hospedar um “casal” de homossexuais (art. 472, VI, a) e a mãe de família que demite a babá que cuida dos seus filhos após descobrir que ela é lésbica (art. 472, II). Poderá talvez ser acusado de “tortura” o pregador que, ao comentar um texto bíblico desfavorável ao homossexualismo, “constranger alguém” do auditório, causando-lhe sofrimento “mental” (art. 468, I, c). Segundo o projeto, tais condutas são motivadas por “preconceito” de “gênero”, “identidade ou orientação sexual”. São crimes imprescritíveis, inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia (art. 474 e 468, § 7º).
A perseguição religiosa está preparada e tende a ser violenta. No entanto, o motivo mais grave que nos deve levar a rejeitar tais cláusulas não está nas suas consequências práticas, mas nosprincípios em que se baseiam. Toda pessoa, ainda que pratique condutas sexuais reprováveis, como a pedofilia, o estupro, o incesto, a bestialidade ou o homossexualismo, continua sendo pessoa. E é somente na qualidade de pessoa que ela tem direitos. A deformidade moral que a atinge não pode acrescentar-lhe direitos. Quem aceitaria que alguém, ao assassinar um pedófilo, recebesse, além da pena devida ao homicídio, uma pena extra por demonstrar “intolerância” ou “preconceito” contra a pedofilia? É justamente isso que pretende o projeto. Agravar a pena de todos os crimes, se eles forem praticados por “preconceito” de “orientação sexual e identidade de gênero” (art. 77, III, n). Essa inadmissível agravante genérica aparece também em crimes específicos, como o homicídio (art. 121, §1º, I), a lesão corporal (art. 129, § 7º, II), a injúria (art. 138, § 1º), o terrorismo (art. 239, III), o genocídio (art. 459), a tortura (art. 468, I, c) e o racismo (art. 472).
Deus se compadeça de nós.

Anápolis, 11 de setembro de 2012.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis


O dogma da auto-organização da matéria como fundamento da vida


Por O. Brado do Blog Perspectivas


VIVEMOS NUM TEMPO BIZARRO que é característico das grandes mudanças de paradigma, em que os ignorantes se acham no direito de censurar as ideias dos outros chamando-lhes de “ignorantes”; e em que a noção de “preconceito”, por exemplo, é usada de forma preconceituosa e irracional, como uma arma de arremesso, por parte de quem tem pavor de perder o pé em relação à realidade e à natureza das coisas. É assim, por exemplo, que aqueles que transformaram Galileu em mártir da História são exactamente os que hoje ostracizam quem se atreva a colocar racionalmente em causa o dogma do darwinismo sintético.

No entanto, bastaria que as pessoas pensassem um pouco e seguissem a lógica, para que pudessem chegar a uma conclusão: o princípio da auto-organização da matéria, mesmo que fosse só e estritamente aplicado à matéria inanimada, não faz sentido. Aquilo que nos aparece como matéria auto-organizada é um efeito (aparência), e não uma causa. As pessoas — mesmo intelectuais e filósofos de nomeada — normalmente olham para os efeitos; abstraem e generalizam; e depois estendem os efeitos às próprias causas.
1O problema da coerência do princípio da auto-organização da matéria tem lugar ab initio, ou seja, no Big Bang — que é um conceito que decorre da observação empírica de dois fenómenos: o primeiro, a descoberta do movimento de expansão das galáxias por intermédio do telescópio Hubble; e o segundo, mediante a constatação empírica da existência da radiação isotrópica que sugere logicamente uma espécie de resíduo fóssil proveniente de uma “explosão” inicial. Portanto, a tese do Big Bang é bastante sólida.
Dizia, o problema da coerência do princípio da auto-organização da matéria começa quando o Big Bang é visto (por intelectuais, filósofos e mesmo pelos físicos) como uma “explosão” ou um processo de “desintegração” — o que é um absurdo, porque só pode “explodir” ou “desintegrar-se” aquilo que já existisse no espaço-tempo e em forma de matéria. Não é objectivamente possível que uma coisa que não exista materialmente, “expluda” ou se “desintegre”. O que podemos dizer, simbolicamente apenas, é que o Big Bang foi uma “deflagração”.
Por outro lado, a teoria da auto-organização da matéria parte do princípio segundo o qual a “explosão” do Big Bang transportava já consigo as partículas elementares (electrões, neutrões, protões, etc.) desde o primeiro instante do cosmo. Ou seja, sustenta-se que, com o Big Bang e no mesmo instante da “explosão”, as partículas elementares surgiram no espaço-tempo. Ora isso é outro absurdo, porque no exacto momento do Big Bang não existia, nem espaço, nem tempo, e nem espaço-tempo. Seria impossível que a matéria tivesse “surgido” no universo naquele instante.
O que surgiu no primeiro instante do Big Bang foi a luz e o limite universal da velocidade da luz (cone de luz), os fotões de energia, e a realidade da onda quântica pura e não-local (que “viaja” fora do cone-de-luz), e, por isso, totalmente desprovida de massa. Por isso, se alguém disser que “a matéria se auto-organizou a partir do Big Bang”, quer dizer que “a matéria se auto-organizou a partir de algo que não era matéria” — o que é outro absurdo.
Por último, a não-existência — no momento do Big Bang — do espaço-tempo (ou melhor: a existência do Não-espaço, do Não-tempo, e da Não-matéria), anula a teoria de cordas e a teoria do Multiverso. Não só a teoria de Stephen Hawking segundo a qual “o universo surgiu do Nada” é apenas metafísica paupérrima, como a teoria de cordas e do Multiverso apenas atiram o problema da primeira causa para o infinito — assim como se pensava (ainda não vai muito tempo) que o universo [material] era eterno e infinito. A teoria de cordas não passa de uma teoria que pretende restabelecer essa saudosa ordem determinista e incriada desse universo infinito agora destruído pela descoberta do Big Bang.
2Por maioria de razão, o princípio da auto-organização da matéria aplicado ao surgimento dos organismos vivos é um absurdo ainda maior do que o conceito de auto-organização da matéria em si mesma. Partindo do princípio segundo o qual a “matéria viva processa energia, guarda informação e reproduz-se”:
Para percebermos o conceito de “auto-organização”, deveremos recordar a Segunda Lei da Termodinâmica. Ainda assim, uma descarga energética pode fazer com que a matéria em desordem se organize espontaneamente num sistema organizado. Por exemplo: imagine-se um cano do nosso duche cheio com a água mais quente misturada com a água mais fria de uma forma heterogénea, estando as moléculas da água distribuídas de uma forma totalmente aleatória e em desordem. Ao abrirmos a torneira, a gravidade força a água a passar do seu estado caótico (do seu estado aleatório de equilíbrio) para um estado ordenado de fluxo de água morna. Este exemplo demonstra como uma força energética (como é o caso da força da gravidade) pode criar o desequilíbrio num sistema e causar uma ordem de criação espontânea.
Poderia um semelhante tipo de “auto-organização” criar a vida?
A matéria com vida tem necessariamente que conter informação (instruções) suficientemente complexa para que seja capaz de se manter e de se reproduzir. Neste ponto, a teoria da informação é-nos muito útil, porque nos permite quantificar a informação da matéria viva e da inerte em termos de bytes bits. A enorme informação contida na matéria viva implica a existência de padrões flexíveis e irregulares, enquanto que a matéria inerte nunca sai dos padrões simples e repetitivos no que diz respeito ao conteúdo de informação. Por exemplo, um cristal de quartzo tem uma ordem simples e um conteúdo de informação escasso, e não vive. Em contraste, o ADN existe em toda a matéria viva e contém uma vasta quantidade de informação que permite aos organismos a reprodução (ou criação de réplicas) e a sua manutenção, isto é, permite a vida.
O ADN da mais pequena bactéria unicelular contém mais de 4 milhões de instruções (comandos de informação), que se encontram codificadas no ADN nas quatro “bases” da “escada do ADN”, com os nomes de A, G, C e T: são o alfabeto genético. Actuando como frases de um texto ou de um discurso, as instruções do ADN passam a informação necessária à formação de uma proteína ou algo semelhante que o organismo necessite para a sua reprodução ou alimentação.
O problema dos teóricos da “auto-organização” é o de que os mecanismos de criação de vida que eles defendem não explicam o método de geração do tipo de informação que o ADN contém. Os cenários da “auto-organização” da vida só se centram na “formação teórica da ordem” e excluem a “informação complexa”. Esses teóricos gostam de utilizar o termo “complexidade” nos seus escritos e referem-se a padrões altamente organizados e intrincados da organização da matéria, mas ao fim e ao cabo não distinguem, por exemplo, os cristais de quartzo, por um lado, de uma ameba, por outro lado.
A teoria da “auto-organização” defende a ideia segundo a qual as leis da física (e consequentemente as leis da química produzidas) causaram a formação da matéria viva a partir da matéria inerte.
Mas esta ideia encontra um grande obstáculo: que é o simples facto matemático de que a informação genética contida no mais pequeno organismo vivo ser muito maior do que o conteúdo de informação descoberto em todas as leis da física – como referiu Hubert Yockey, um dos físicos do Projecto Manhattan (1).
De onde nos chegou o enorme conteúdo de informação vital? Esta dificuldade fundamental não é abordada pelos defensores da teoria da “auto-organização”.
Mesmo que ignoremos este facto matemático fundamental, existe um outro problema: as leis da Física só produzem padrões regulares. O ADN (vida) requer padrões irregulares para a transmissão de informação através do código genético. Para usar uma analogia, o nosso idioma utiliza um código (alfabeto), e se escrevermos as letras “ABC”, de uma forma repetida ao longo de 1.000 páginas, teríamos um padrão regular, altamente ordenado e previsível (que são como as produzidas pelas leis da Natureza); mas se analisarmos “Os Lusíadas”, verificamos um padrão irregular nas letras do alfabeto utilizadas, o que significa uma enorme quantidade de informação.
De igual modo, o ADN utiliza o seu código (A, G, C e T) numa combinação complexa e irregular, para transmitir o seu código genético. Uma lei física produz padrões regulares e previsíveis, como a lei da gravidade e a entropia produzem o fluxo de agua tépida no exemplo do tubo do duche de que se falou acima. Se o ADN tivesse origem baseada nesse tipo de lei física, a sequência do ADN seria simples e repetitiva (tipo ABCABCABCABC) e sem muita informação, e seria incapaz de transmitir milhões de instruções como o faz o mais simples dos organismos.
Da mesma forma que a informação contida n’Os Lusíadas não foi determinada pelos químicos utilizados na tinta da pena de Luís Vaz de Camões, assim a informação do código genético (ainda que codificada num alfabeto de 4 letras) não é determinada pelos elementos químicos desse seu alfabeto.
(1) In “Information Theory and Molecular Biology”.

O algoritmo das formigas


Por A Bíblia e a Ciência contra o Darwinismo


A Terra parece ser um sítio totalmente controlado pelas formigas uma vez que elas parecem cobrir o globo inteiro. O sucesso de qualquer colónia de formigas depende das capacidades inerentes de muitas das suas operárias. Uma das capacidades das formigas recolhedoras depende dum algoritmo que governa a frequência com que elas saem da colónia, e que tem um paralelo com um outro algoritmo gestor de dados de internet.
 As formigas recolhedores fazem buscas  por sementes e cada uma das formigas transporta uma semente de cada vez para a sua colónia. Se demasiadas formigas se encontram em busca de sementes, os recursos são desperdiçados, e a colónia poderá receber um excesso de provisões que poderiam gerar um bloqueio no tráfego (e problemas no armazenamento do excesso de alimentos).
 Isto pode ser um desastre.
 Por outro lado, a colónia passará fome se não haver sementes suficientes.  Como é que as formigas controlam esta tarefa crítica?  Os pesquisadores estavam curiosos por  descobrir a forma como as formigas levavam a cabo esta tarefa sem qualquer tipo de administração centralizada.
 A resposta é que as formigas levam consigo todo o seu entendimento. Ao testarem com as formigas recolhedoras, os biólogos determinaram que, quando as formigas regressam  à colónia mais lentamente, então mais formigas sabem que têm que sair da colónia e ir recolher. Ao mesmo tempo, quando as formigas regressam em grande número, enchendo rapidamente as “dispensas”, menos formigas saem para buscar alimento.
 Biólogos e engenheiros de Stanford fizeram uma parceria e descobriram que um algoritmo frequentemente usado para regular o tráfego da internet assemelha-se com o que as formigas usam para regular o tráfego de recolha.  Os dados foram publicados no jornal onlone PLoS Computational Biology.
 Eles observaram que o algoritmo presente no cérebro das formigas usa quatro variáveis. Uma descreve a taxa das formigas que saiam, outra descreve a quantidade com que a taxa aumenta à medida que cada formiga regressa, e outra descreve a forma como a taxa diminui cada vez que cada formiga sai. O artigo uniu estes parâmetros usando duas fórmulas::
  1. an = max(an-1-qDn-1+cAn-d,a), a0 = 0
  2. Dn~Poisson (an)
Quem diria que as formigas eram tão inteligentes?
 Para além disto, as formigas recolhedoras sabem muito mais. Por exemplo, elas sabem qual a amplitude térmica ideal para elas irem em busca de alimento. Elas recolhem-se para o subsolo durante os períodos mais quentes dos desertos da zona ocidental dos EUA (onde muitas delas vivem).
 Em dias de Sol, as formigas recolhedoras normalmente param de buscar alimento por volta das 11 a.m. e regressam quando as temperaturas baixam para os  118-125°F[47º - 51º Celsius]. Isto significa que as formigas possuem termómetros internos que comunicam com os seus centros de decisão.
Claramente, as formigas não aprenderam isto numa escola, portanto é perfeitamente lógico e cientifico inferir que este conhecimento vem duma Fonte exterior a elas mesmas.
* * * * * * *
 Não é difícil saber Quem é o Programador que codificou as formigas de modo a que elas possam executar algoritmos necessários para a sua sobrevivência, no entanto seria interessante saber se os militantes ateus realmente acreditam que um sistema que faz cálculos matemáticos pode ser o efeito de forças não-inteligentes. Se sim, que tipo de evidências eles fornecem que suporte esta posição religiosa não-científica?
 Enquanto os militantes ateus pensam nisso, fica aqui um versículo especialmente para eles:
Vai ter com a formiga, ó preguiçoso: olha para os seus caminhos, e sê sábio.

Provérbios 6:6

domingo, 7 de outubro de 2012

O boçal engajado e a máquina de devorar consciências




A falta continuada de contato com coisas belas e elevadas mutila a alma. Os dois sintomas mais evidentes de que uma pessoa chegou a tal dramático estado são os seguintes: extasiar-se com tolices e ser indiferente ao sublime. Não raro, são sintomas concomitantes num mesmo sujeito — que se superexcita com ninharias, futilidades ou torpezas, enquanto se mostra apático diante de qualquer beleza de ordem superior. Trata-se de alguém capaz de se entediar mortalmente ouvindo uma sinfonia de Bach ou lendo um parágrafo de Vieira, ao passo que sente arrepios de entusiasmo beatífico ao ouvir uma rima bem feita cantada em ritmo sincopado.
Estamos falando de um arquétipo contemporâneo: o boçal engajado. Pessoa de espírito lânguido, em geral ávida consumidora de produtos culturais alternativos cuja esterilidade artística pode ser medida pela tola pretensão de originalidade. Não se trata, propriamente, de um iletrado ou de alguém oriundo das camadas sociais menos favorecidas. Não: o boçal engajado é homem de classe média, habitué de feiras literárias, freqüentador de bienais de livros, encontros artísticos performáticos e exposições. Tem interesse por leitura, sim, mas sem jamais arriscar-se em autores que ou exijam de sua inteligência um maior esforço abstrativo, ou fujam ao limitado universo estético-político em que se embrenhou.
É, no fundo, uma personalidade timorata que precisa apoiar-se na opinião de grupos ou facções, em meio às quais se sente encorajado a manter o dedo em riste para o mundo, sobretudo como crítico da cultura e da política. As suas convicções são, pois, tanto mais altissonantes quanto mais estejam protegidas pela coletividade a que aderiu apaixonadamente. Palavras gastas como “reacionário” e “careta” ainda são recorrentes nos lábios do boçal engajado — em geral um sujeito simpático a ideologias socialistas e que defende todos os tópicos da agenda globalista contemporânea: aborto, casamento homossexual, ecumenismo, marcha das vadias, aquecimento global, etc. E ai de quem esboçar objeções ao que ele jura de pés juntos serem convicções suas!
Em verdade, o boçal engajado nem de longe imagina ser o produto acabado da sociedade orwelliana em que nos coube viver. É, pois, um autômato a repetir slogans, palavras de ordem e conceitos produzidos pela engenharia social que se apossou da sua consciência, não obstante dando-lhe a febril ilusão de liberdade, capacidade decisória e autonomia espiritual. Neste contexto, malgrado a sua patente curiosidade — medida pela busca constante por se informar até a embriaguez acerca de coisas “interessantes”—, a imersão do boçal engajado em baladas culturais é o fiel retrato de uma candente incapacidade reflexiva, pois o padrão mental em que sucumbe está enquadrado nas bitolas pré-moldadas por certa indústria do entretenimento, voltada a públicos com pretensões vanguardistas e libertárias.
Mentalidade adubada no espírito libertino procedente dos iconoclastismos revolucionários da década de 60, ele considera verdadeiramente geniais autores como Marcuse, Lacan, Deleuze, Sartre, Paulo Freire e diversos outros conformadores das últimas gerações. Mas se porventura o inquirimos com o intuito de aquilatar o seu nível de conhecimento a respeito da obra destas ilustres figuras, constatamos não passar de leituras esparsas de pensamentos ou conceitos isolados, geralmente feitas de segunda ou terceira mão, ou seja: em livros de comentadores que repetem os “dogmas” dos seus ídolos como mantras irredutíveis a qualquer análise um pouco mais criteriosa.
Se o boçal engajado ouve, por exemplo, um lacaniano dizer que o único e verdadeiro amor de uma mãe pelo seu filho acontece quando ela morre no parto, acha isto de uma criatividade sem tamanho. Ou então se vê um sartreano proclamar que a liberdade do homem é construir o seu próprio ser, e que o “Em-si” muitas vezes decai num processo de nadificação em direção ao “Para-si”, cai fulminado de amor místico diante do Ininteligível. Tais frases são edulcoradas numa espécie de psicodélica beberagem, e depois saboreadas, sorvidas, degustadas pelo boçal engajado como um olímpico manjar. A idéia que ele faz da filosofia é, como se pode deduzir, a de doidões fumando ópio e exercitando a inebriante debilidade das suas próprias inteligências.
A irreligião do boçal engajado é um bloco de conceitos auto-referentes, contemporaneamente pinçados dos livros de um Richard Dawkins ou de um Michel Onfray, autores da moda cuja leitura, de sua parte, é tão ou mais superficial do que a que teve a oportunidade de experimentar dos gurus acima mencionados. Portanto, quando ateu, o boçal engajado é o materialista que usa o espírito para perpetrar toda sorte de negações, a ponto de ter o próprio bom senso esmagado pela massa assimétrica de idéias avulsas que, repetidas à exaustão, formam uma imagem inexpugnável em sua mente: a de que a religião é algo irracional. Imaginemos, pois, o que acontece se algum desavisado lhe mostra que uma parcela grandíssima das maiores criações humanas — na filosofia, na música, na arquitetura, na pintura, na escultura, no direito, na poesia, na ciência, etc. — provém do mais profundo espírito religioso...
O fragor de sua inépcia mental tem como invólucro um insano otimismo, sobretudo com relação à reforma política das sociedades a partir das idéias que defende — as quais, de antemão, elevou à condição de verdades universais intocáveis. Assim, com a psique emparedada em tal universo, não é tão raro o boçal engajado subir de degrau na escala da esquizofrenia e se transformar num boçal engajante, ou seja: alguém com discurso violento a arregimentar prosélitos e incautos, não raro apelando ao expediente da detração dos adversários, aos quais são aplicadas as etiquetas que ele julgar apropriadas, conforme as situações se foram apresentando.
Quando apóia campanhas de desarmamento, o boçal engajado se sente um Mahatma Gandhi redivivo a pregar a não-violência, enquanto consome e propagandeia todo tipo de filme, música ou literatura em que a violência beira o infernal, alimentando as potências superiores de sua alma — inteligência e vontade — com imagens prenhes das mais macabras e hediondas possibilidades humanas, que, expostas “artisticamente”, acabam por se difundir nas sociedades. Acontece que, como entronizou a liberdade de expressão como ditame fundamental de sua febril existência, o boçal engajado quebra lanças quando, por exemplo, alguma autoridade sensata proíbe a exibição de películas como A Serbian Film, na qual a mais inocente cena é a do estupro de um bebê que acaba de sair da barriga de sua mãe.
Em síntese, a mente deste opiniático personagem é uma selva impossível de debastar, porque foi alimentada com todo tipo de filosofias da insanidade e de estéticas surreais — em que o “belo” é uma espécie “antitranscendental” do ser, pois tem pouco ou nada a ver com a realidade das coisas e do espírito. Daí o fato de o boçal engajado não conseguir perceber, por exemplo, que uma sociedade em que nada é censurável está fadada à autodestruição; não será sequer uma “sociedade”, na acepção da palavra, mas o vale-tudo hobbesiano que acaba por deflagrar a luta de todos contra todos. Com a advertência de que, em Hobbes, este é absurdamente o estado “natural” do homem, mas na verdade tipifica o estágio em que a natureza humana se desfez quase por completo, sobrando-lhe apenas a casca de suas reais potências.
O boçal engajado é pan, metro, supra, homo, meta, pluri, hiper-sexual. Noutras palavras: a sua capacidade de protagonizar façanhas eróticas jamais vistas desde a criação do mundo é simetricamente proporcional à sua incapacidade de ordenar a mente. E isto não é uma metáfora, pois a neurociência tem mostrado o quanto a devoção à pornografia e a um erotismo exagerado causam uma pavloviana supermemória — canalizada apenas para dar vazão ao sexo transformado em vício. Resultado: a estimulação mental quase sem descanso ao sexo causa graves deficiências no córtex frontal, área do cérebro ativada quando o homem engendra raciocínios lógicos ou cognições mais complexas, toma decisões importantes, organiza seu discurso, etc.[1] Daí as freqüentes depressões, insatisfações existenciais, dificuldades de concentração, ansiedade e falta de motivação em uma pessoa com o perfil do boçal engajado, que metaforicamente ejacula o cérebro nosamsara pornográfico em que jaz.
Haveria muitas outras características a destacar a respeito deste arquetípico homem do nosso tempo, como por exemplo a sua maior propensão a ser manipulado pelas técnicas de propaganda política — tão usuais desde que o mundo se transformou numa sociedade de massas. Mas encerremos este texto apenas observando  que o boçal engajado é, fundamentalmente, a subespécie de um boçal muito mais refinado, e por isso superiormente deletério: o boçal liberal. Este último é a indômita e caótica mescla de várias idéias revolucionárias norteadoras dos séculos XX e XXI.
Entre outras coisas,  o boçal engajado é irreligioso, como acima apontamos, mas o boçal liberal é o corruptor dos princípios da religião e da civilização, com a  promessa de que, se o homem contemporâneo comer dos  frutos por ele oferecidos, será livre, autônomo, poderoso. O seu primeiro princípio é retirar Deus das sociedades, na forma da lei, defendendo que os planos material e espiritual são realidades separadas por um abismo infinito. Ora, se o homem pode governar-se autonomamente, por que também não o podem as sociedades?
Assim pensa este sujeito que, consciente ou inconscientemente, opera a máquina de devorar consciências concebida pelo espírito maligno que — segundo dizem — reside entre o tempo e a eternidade.
E hoje atende pelo nome de 666.
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1-  Recomenda-se, para entender este mecanismo, a leitura do site Your Braind on Porn, onde há uma excelente bibliografia indicada. Nesta mesma linha, sobre o processo de estupidificação a partir das deformações da sexualidade humana, um grande amigo recomenda o livro Sexual Sabotage, de Judith Reisman.

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