Contra a verdade não temos poder algum; temo-lo apenas em prol da verdade. (II Coríntios 13,8)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Católicas pelo Direito de Decidir: o bode da Campanha da Fraternidade 2008

Por Alberto Zucchi


Provocou justa indignação a presença de depoimento de uma representante do movimento que defende o aborto, e que impropriamente se denomina, Católicas pelo Direito de Decidir, no vídeo da Campanha da Fraternidade 2.008, com o tema Escolhe, pois, a vida. Ingenuamente, alguém poderia esperar que a CNBB utilizasse essa campanha como uma defesa da vida e da doutrina católica, contra aqueles que propugnam o aborto, a destruição de embriões humanos, a eutanásia. A revolta nos meios católicos pela inclusão nesse DVD da CNBB do depoimento de uma "Católica pelo Direito de Decidir”, fez com que fosse produzida uma 2ª. edição do vídeo, excluindo a representante dessa associação.

Alguns lamentam o fato de tradicionais defensores da vida, como por exemplo, o Padre Luiz Carlos Lodi, a Dra. Alice Teixeira, a Dra. Lílian Piñero, o Dr. Paulo Leão, a Dra. Maria Dolly Guimarães, que juntamente conosco estiveram presentes na luta em defesa da vida, desde a discussão sobre a utilização de células troncas embrionárias, não terem sido convidados a participar do vídeo. Na realidade, é uma grande honra para todos eles não terem sido chamados a participar dessa farsa.

A exclusão final das falsas católicas da CDD, entretanto, nada alterou a essência do vídeo que continuou a ser escandaloso, pois, de fato, ao invés de fazer a defesa da vida, o DVD produzido pela Conferência Episcopal brasileira é apenas um disfarçado instrumento de difusão, da já diversas vezes condenada, teologia da libertação, e certamente prejudicial à luta contra o aborto.

Os responsáveis pelo vídeo tiveram a preocupação de que os "homens de boa vontade" pudessem participar dessa produção, pois palavras como oração, vida sobrenatural, e outras próprias à religião católica foram completamente excluídas. Nem mesmo as mais elementares recomendações morais católicas para a produção de um vídeo foram observadas. É um DVD completamente laico e naturalista o produzido pela CNBB. Poderia ser um DVD ateu.

No vídeo produzido para a CNBB, uma entidade que também se afirma católica, em nenhum momento cita-se o Papa Bento XVI, não há uma única referência à visita do Papa ao Brasil, aos seus discursos contra as leis que atentam contra vida humana. Em nenhum depoimento foi lembrado que o Vaticano produziu uma grande quantidade de documentos e material muito úteis na defesa da doutrina católica sobre a vida, como por exemplo, o Léxico do Conselho Pontifício para a Família, recentemente publicado em português, mas sempre ausente das livrarias católicas. Quem vê o vídeo da CNBB, fica com a clara impressão de um verdadeiro cisma entre a CNBB e as autoridades do Vaticano. Não é uma honra ter sido excluído de um local onde também o Papa foi impedido de entrar?

Estaríamos exagerando em nossas afirmações? Vejamos, por exemplo, o que pensa, um dos principais protagonistas do vídeo, o ex-padre e atual professor da PUC, Fernando Altemeyer Júnior:
"O papa não é a Igreja, o papa espelha um catolicismo oficial, que representa apenas uns 10% dos católicos do mundo. É como se fosse a ponta de um icebergue, os outros 90% ficam debaixo de água". (http://www.reflexodigital.com/index.php?cat=42&item=2026&PHPSESSID=6dd3f47623fb09671a22d9ee600f9d8a)
E esse Padre, que abandonou a batina, dirige o ensino de religião na PUC de São Paulo e participou do DVD da CNBB, minimizando o Papel do Papa.
Veja-se ainda o que pensa ele sobre a obediência que os padres devem ao Vaticano:
"Há uma certa esquizofrenia, sim. Os brasileiros aplaudem o discurso do Vaticano, mas dentro de casa o que se segue é outra coisa. A mesma postura é adotada por muitos dos padres brasileiros. Eles seguem a orientação do Vaticano de uma maneira geral, mas, quando se está na frente de um fiel, é preciso adequar a estrutura moral à realidade humana". (http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u25097.shtml
Teria aceitado ele a condenação à Teologia da Libertação? Vejamos:
"Um exemplo da intolerância do papa, na opinião de Altemeyer, pôde ser vista no Brasil. O frei Leonardo Boff, por exemplo, foi punido duas vezes por sua atuação social, e acabou deixando a igreja. Altemeyer, que já foi padre e é partidário da Teologia da Libertação, não acha, no entanto, que o conservadorismo do papa João Paulo 2º é levado ao pé da letra pelos padres ou fiéis brasileiros". (http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u25097.shtml)

É, portanto, natural que em um vídeo em que participe esse ex-padre, o Papa seja esquecido.
Apesar de ter "esquecido" do Papa, a CNBB não esqueceu de pedir dinheiro, apresentando no vídeo diversas formas com as quais os católicos podem enviar recursos aos defensores da Teologia da Libertação.

Apesar de insistir sobre os problemas materiais de nossa sociedade a CNBB, desta vez, esqueceu da corrupção. O PT, partido da Teologia da Libertação foi poupado.

Distante do Vaticano e do Papa, a CNBB convidou para participar do vídeo, teólogos da libertação, políticos de esquerda e ilustres desconhecidos, talvez com alguma desonrosa exceção, na luta em defesa da vida. O resultado é a uma indisfarçável simpatia pela luta de classes, como, por exemplo, na absurda e herética afirmação, do já referido ex-padre Fernando Altmeyr Jr. de que "fora dos pobres não há salvação" (DVD Escolhe, pois, a Vida, bloco II – Ver-Julgar-Agir). Por dever com a verdade, entretanto, devemos dizer que a aparência de todos os protagonistas, especialmente do autor da herética frase, está bem longe de demonstrar pobreza.

Assim, no vídeo que deveria defender a vida não há uma única condenação do aborto, apenas uma única vez se critica a utilização de células-tronco embrionárias como se fosse uma mera opinião da Igreja, a condenação da eutanásia é feita de forma confusa e com muitas ressalvas. Não se faz a defesa e a valorização da família, não se alerta para o perigo da lei de homofobia que poderá desencadear uma verdadeira perseguição religiosa no Brasil.

Pelo contrário, o vídeo está recheado de afirmações demagógicas, vagas e absolutamente inúteis aos defensores da vida, como por exemplo, a de uma professora que afirma que "a primeira coisa que devemos conseguir é que a criança o aluno se ame". Ou ainda, a afirmação do Padre Carlos Josaphat de que "a vida não é o lado produtivo". Também este padre não esquece de promover a luta de classes, distorcendo completamente os ensinamentos da Bíblia com a absurda interpretação de que os Profetas do Antigo Testamento tinham predileção pelos pobres.

O Padre Josaphat é mais um dos protagonistas do vídeo a não dar importância ao que a Igreja ensina. Veja-se na entrevista a seguir, concedida à Folha de São Paulo, como ele destaca a importância da orientação médica e não da Igreja.
"Sinapse - O que o sr. pensa sobre a utilização de métodos contraceptivos artificiais, um dos dogmas da igreja?
Josaphat - Essa questão envolve vários aspectos. Um deles é o dos casais que querem planejar a vida da família. A igreja diz que eles só devem usar métodos naturais de contracepção. Acredito que o homem e a mulher, com uma correta orientação médica, devem escolher o método, natural ou artificial, que mais lhes convém. A posição deles deve ser respeitada pelos padres. Método é meio, e o meio é empregado da maneira mais ajustada aos bons fins que se deseja alcançar. Em relação à Aids, a questão é evitar o contágio. Se a pessoa optou pela promiscuidade, pelo menos deve empregar o preservativo, para não cometer duas faltas: ter vida promíscua e espalhar um mal grave. Quem diz que não se deve usar preservativos pode estar cometendo um crime, pois pode fazer com que ocorra a contaminação de muitas pessoas." Folha de São Paulo, Entre o céu e a terra - 30/3/2005.
Alguns dos protagonistas do vídeo preocupam-se ainda em dar conselhos práticos para a Defesa da Vida. Nesses conselhos, ninguém comenta sobre as leis abortistas e contra a família que foram aprovadas ou estão em discussão no Congresso Nacional, muito menos os católicos são orientados a pedir a Deus e a Nossa Senhora, sua proteção. O agir para os protagonistas do vídeo, como por exemplo, o Dr. Klaudio Koffani Nunes consiste em "dialogo, promover reuniões, cuidar de gente que sofre, espaço para as crianças serem atendidas, espaço para morar, ambiente escolar". Sem dúvida estes são os conselhos apropriados para quem deseja deter a luta contra o aborto.

Nesta mesma linha o Pe. Leo Pessini trata da Bioética. Sem tocar na questão do aborto, e pisando em brasas sobre o assunto células-tronco embrionárias, o Padre Leo faz uma confusa crítica à eutanásia e pede para que as comunidades verifiquem como estão as crianças, os idosos e onde estão as pessoas deficientes e doentes. Teria esquecido o padre Leo Pessini de tratar do que interessa, ou quis ele esconder a sua verdadeira opinião?

Quando esteve participando do Congresso de Bioética na China, Padre Leo, publicou suas impressões sobre aquele pais. Veja com que indiferença, ou melhor, com que simpatia e compreensão pela cultura da China comunista ele trata do problema da prática do aborto, como se este prática fosse equivalente a um problema com a plantação de chuchus:
"... o controle da natalidade, na China, é levado avante com mão de ferro pelo governo, com a aplicação da política one child policy (1979), ou seja, só é permitida uma criança por casal. Enquanto visitávamos locais interessantes de Pequim, a guia que nos explicava a realidade cultural e social chinesa, ao entrar nessa questão, "a geração dos que se sentem sozinhos, pois não têm irmãos ou irmãs" como fruto dessa política. Se surgir uma segunda gravidez, o casal praticamente é obrigado a abortar, além de pagar uma pesada multa; perde o emprego e, além disso, passa a ser estigmatizado. Nesse contexto, o aborto acaba sendo um método normal de controle de natalidade. A preferência por nascituro masculino é apontada como sendo uma das causas para que se criasse um desequilíbrio gigantesco na relação numérica entre homens e mulheres. Faltam aproximadamente quarenta milhões de mulheres na China. Faltam meninas porque são abortadas por médicos a pedido dos futuros pais, que têm preferência por meninos, ou morreram por negligência como recém-nascidos ou bebês. Num contexto cultural sexista, a mulher grávida é obrigada a ir ao hospital para a identificação de sexo e, caso o feto seja identificado como feminino, a mulher é fortemente pressionada para abortar. Um livro lançado recentemente em inglês, comentado no congresso, retrata toda essa problemática: Behind the silence: chinese voices on abortion -Atrás do silêncio: vozes chinesas sobre o aborto (Nie Jing Bao, 2005).

Para tentar evitar que esse desequilíbrio aumente o número de abortos de fetos femininos, a política atual do governo proíbe a realização de ultra-som por motivos não médicos, com o objetivo de revelar o sexo do nascituro. Com a infração dessa regra, o profissional médico corre o risco de ter sua licença de exercício profissional cassada. Esta situação populacional chinesa, de desequilíbrio entre o número de nascimentos de homens e mulheres, foi discutida no Congresso, num simpósio especial, patrocinado pela Função Ford (EUA). A questão vem preocupando o Presidente chinês Hu Jintao, e um plano de ação para corrigir essa distorção populacional vem sendo estudado". (Revista PUC VIVA no. 27)
Para um padre com esta mentalidade, não é de surpreender que no vídeo apresente como cuidados para o fim da vida "as questões físicas, psíquico-afetivas e esperança", que ele diz ser "espiritualidade". Nada fala este Padre sobre a alma e a vida após a morte. Certamente um padre tão moderno, admirador da sociedade chinesa, já terá superado esses velhos dogmas do cristianismo.

O vídeo traz ainda a presença do Dr. Hélio Bicudo. Realmente é difícil encontrar políticos comprometidos com a doutrina da Igreja, mas certamente o Dr. Bicudo não seria esse representante. Apesar de seus discursos contra o aborto é conhecida a sua ausência do plenário da Comissão de Constituição Justiça e Redação, em 1996, que permitiu a aprovação do projeto que regulamentava o aborto nos casos de estupro.

Dr. Bicudo foi coerente, também no vídeo se omitiu, não quis atacar o aborto, para ele em relação a questão da vida é importante tratar da indiferença diante das pessoas vitimadas em vias públicas, e do judiciário que esta voltado para interesses econômicos. As clinicas de aborto clandestinas não merecem a menor atenção e nenhum comentário.

Existe ainda um depoimento da Irmã Nelly Booner que apresenta um sistema para recuperação de presos chamado "Escola de Perdão e Reconciliação". Como sempre uma visão totalmente naturalista, com algumas frases que chamam a atenção como por exemplo, que "a raiva é importante para mobilizar as pessoas". Traduzindo para uma linguagem mais clara, a Irmã Booner ressalva que um militante de esquerda, provavelmente do PT, sem raiva, não pode ser mobilizado. Tal apresentação, de fato, tira o foco das questões fundamentais.

No final da encenação em defesa da vida uma apresentação do Amparo Maternal, uma maternidade gratuita. Sem dúvida, do ponto de vista natural, um bom trabalho, mas o vídeo apresenta casos de mulheres que aparentemente engravidaram sem desejar, uma é muito jovem e muito pobre, outra já tem onze filhos e não pode cuidar de nenhum deles, outra foi abandonada pelo marido. Não são esses os exemplos utilizados pelos defensores do aborto? Em nenhum momento o caso do Amparo é apresentado como uma prova de que não há necessidade do aborto. E de repente entre em cena Dom Arns, como Pilatos no Credo, se bem que não se pode comparar o vídeo com o Credo. Mas como poderia faltar a propaganda do grande impulsionador da Teologia da Libertação?

No Amparo Maternal as crianças são alimentadas, mas nada se fala sobre o batismo, as mães recebem instrução profissional, mas não religiosa, sobre um padre para as necessidades de confissão, nem pensar. Certamente, a ausência das orientações religiosas contribuiu para que o Governador José Serra não tenha se sentido constrangido em defender efusivamente a distribuição gratuita de anticoncepcionais nas estações do Metrô e da CPTM, em discurso proferido nas dependências do próprio Amparo. (http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=87681)

Acreditamos que apesar de ser um vídeo oficial da CNBB, poucos bispos tenham tido efetiva participação na sua elaboração. Mas não se preocuparam eles em conhecer esse material e entrar em contato com a CNBB para protestar? Não se tem notícia de um único Bispo que se tenha posicionado contra tamanho absurdo representado por esse DVD naturalista e não católico da CNBB. Não é dever dos Bispos alertar ao Vaticano que essa pseudo defesa da vida, é na realidade uma mal disfarçada campanha em favor da Teologia da Libertação, que se esconde, agora, talvez com receio de uma nova condenação? Porque não se pronunciam certos Bispos que pretendem representar o "magistério vivo" e que se colocam como seguidores do Papa e dos ensinamentos tradicionais da Igreja?

Permanecem eles em viagens com finalidades de arrecadar fundos para suas obras, ao invés de protestarem contra essa má orientação aos católicos e esta revolta silenciosa contra Roma?

A exclusão posterior do depoimento da representante das Católicas pelo Direito de Decidir, somente retirou o bode da sala, mas a sujeira, a desordem, e a revolta da Campanha da Fraternidade continuam a mesma de sempre.

O vídeo nos leva a duas considerações. A primeira é que não podemos nem devemos contar com a CNBB, o que resta a fazer, já que os Bispos se omitem, é recorrer ao Vaticano para que, o quanto antes, intervenha nessa instituição episcopal para que ela retorne a seguir as orientações do Papa.

A segunda é que apesar desta traição os verdadeiros defensores da vida não devem desistir de sua luta, temos obrigação de continuar combatendo. A justiça está do nosso lado e a vitória é certa, não por causa de nossas qualidades, mas pela promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo, "as portas do inferno não prevalecerão contra ela". Ademais, temos a proteção de Nossa Mãe Maria Santíssima que em Fátima nos prometeu, "por fim o meu Imaculado Coração triunfará".

Fonte: Montfort.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Fetos chutam tumor de útero e salvam a vida da mãe


Agradecemos a Rogério Amaral Silva por enviar a notícia.

Nesses tempos de cultura da morte, a própria vida vem se manifestar...

Ó mãe eu não te mereço, porém de ti necessito!

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Terça, 5 de fevereiro de 2008, 10h16

Fetos chutam tumor de útero e salvam a vida da mãe

Uma britânica que descobriu um câncer durante a gravidez foi salva pelos chutes dos fetos, que expulsaram parte do tumor.

Michelle Stepney, 35 anos, estava grávida de gêmeas quando foi levada para o hospital com um sangramento.

No início, os médicos suspeitaram de um aborto, mas logo descobriram que ela estava com câncer cervical e que acabara de expelir um pedaço do tumor do colo do útero.

"Eu não poderia imaginar que os chutes que eu sentia seriam tão importantes. Eu mal pude acreditar quando os médicos disseram que os movimentos tinham expulsado o tumor", diz Michelle.

Os oncologistas sugeriram que ela fizesse quimioterapia e retirasse o útero para remover o câncer por completo, o que significaria o fim da gravidez.

Michelle conta que, depois de muito refletir, decidiu seguir em frente com a gestação e foi submetida a doses limitadas de quimioterapia, aplicadas a cada 15 dias.

As gêmeas, Alice e Harriet, nasceram na 33ª semana de gravidez de cesariana. As meninas estavam em perfeito estado de saúde, mas nasceram sem cabelo por causa dos efeitos da quimioterapia.

Quatro semanas depois do parto, Michelle foi submetida a uma cirurgia para retirada do tumor e do útero. Os médicos acreditam que ela esteja curada.

A britânica disse que deve "a vida às filhas".

No dia 12 de fevereiro, Michelle receberá o prêmio "Mulher de Coragem" do Cancer Research UK, um centro na Grã-Bretanha dedicado a pesquisas sobre o câncer.

BBC Brasil

Fonte: http://noticias.terra.com.br/ciencia/interna/0,,OI2338566-EI298,00.html


Audiência Geral - Se o mundo envelhece Cristo é sempre jovem


PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Sala Paulo VI

Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008

Santo Agostinho (2)

Queridos irmãos e irmãs!

Hoje, como na passada quarta-feira, gostaria de falar do grande Bispo de Hipona, Santo Agostinho. Quatro anos antes de morrer, ele quis nomear o sucessor. Por isso, a 26 de Setembro de 426, reuniu o povo na Basílica da Paz, em Hipona, para apresentar aos fiéis aquele que tinha designado para tal tarefa. Disse: "Nesta vida somos todos mortais, mas o último dia desta vida é para cada indivíduo sempre incerto. Contudo, na infância espera-se chegar à adolescência; na adolescência à juventude; na juventude à idade adulta; na idade adulta à maturidade; na idade madura à velhice. Não se tem a certeza de a alcançar, mas espera-se. A velhice, ao contrário, não tem diante de si outro período no qual esperar; a sua própria duração é incerta... Eu por vontade de Deus cheguei a esta cidade no vigor da minha vida; mas agora a minha juventude passou e eu já sou velho" (Ep 213, 1). Nesta altura Agostinho pronunciou o nome do sucessor designado, o sacerdote Heráclito. A assembleia explodiu num aplauso de aprovação repetindo vinte e três vezes: "Deus seja louvado! Deus seja louvado!". Com outras aclamações os fiéis aprovaram, além disso, quanto Agostinho disse depois sobre os propósitos para o seu futuro: queria dedicar os anos que lhe restavam a um estudo mais intenso das Sagradas Escrituras (cf. Ep 213, 6).

De facto, seguiram-se quatro anos de extraordinária actividade intelectual: realizou obras importantes, empreendeu outras não menos empenhativas, fez debates públicos com os hereges procurava sempre o diálogo interveio para promover a paz nas províncias africanas assediadas pelas tribos bárbaras do sul. Neste sentido escreveu ao conde Dário, que foi à África para resolver a discórdia entre o conde Bonifácio e a corte imperial, da qual se estavam a aproveitar as tribos dos Mauritanos pelas suas incursões: "O maior título de glória afirmava na carta é precisamente o de suprimir a guerra com as palavras, em vez de matar os homens com a espada, e procurar ou manter a paz com a paz e não com a guerra. Sem dúvida, também os que combatem, se são bons, procuram sem dúvida a paz, mas à custa do derramamento de sangue. Tu, ao contrário, foste enviado precisamente para impedir que se procure derramar o sangue de alguém" (Ep 229, 2). Infelizmente, a esperança de uma pacificação dos territórios africanos foi desiludida: em Maio de 429 os Vândalos, convidados para a África por vingança pelo próprio Bonifácio, passaram o estreito de Gibraltar e invadiram a Mauritânia. A invasão atingiu rapidamente as outras ricas províncias africanas. Em Maio ou em Junho de 430 "os destruidores do império romano", como Possídio qualifica aqueles bárbaros (Vita, 30, 1), estavam em volta de Hipona, que assediaram.

Na cidade tinha procurado refúgio, o qual, tendo-se reconciliado demasiado tarde com a corte, procurava agora em vão impedir o caminho aos invasores. O biógrafo Possídio descreve o sofrimento de Agostinho: "As lágrimas eram, mais do que o habitual, o seu pão noite e dia e, tendo já chegado ao extremo da sua vida, mais que os outros arrastava à amargura e ao luto a sua velhice (Vida, 28, 6). E explica: "De facto, aquele homem de Deus via os massacres e as destruições das cidades; destruídas as casas no campo e os habitantes mortos pelos inimigos ou afugentados e desorientados; as igrejas privadas dos sacerdotes e dos ministros, as virgens sagradas e os religiosos dispersos por toda a parte; entre eles, outros mortos sob as torturas, outros assassinados pela espada, outros feitos prisioneiros, perdida a integridade da alma e do corpo e também a fé, reduzidos em dolorosa e longa escravidão pelos inimigos" (ibid., 28, 8).

Mesmo idoso e cansado, Agostinho conquistou contudo sempre simpatias, confortando-se a si mesmo e aos outros com a oração e a meditação sobre os misteriosos desígnios da Providência. Falava, a este propósito, da "velhice do mundo" e verdadeiramente era velho esse mundo romano falava desta velhice como já tinha feito anos antes para confortar os prófugos provenientes da Itália, quando em 410 os Godos de Alarico tinham invadido a cidade de Roma. Na velhice, dizia, os doentes abundam: tosse, catarro, remela, ansiedade, esgotamento. Mas se o mundo envelhece, Cristo é perpetuamente jovem. E então o convite: "Não rejeitar rejuvenescer unido a Cristo, também no mundo velho. Ele diz-te: Não temas, a tua juventude renovar-se-á como a da águia" (cf. Serm. 81, 8). Por conseguinte, o cristão não deve desanimar mesmo em situações difíceis, mas empenhar-se por ajudar quem está em necessidade. É quanto o grande Doutor sugere respondendo ao Bispo de Tiabe, Honorato, que lhe tinha pedido se, sob as ameaças das invasões bárbaras, um Bispo, um sacerdote ou um homem qualquer de Igreja pudesse fugir para salvar a vida: "Quando o perigo é comum a todos, isto é, a Bispos, clérigos e leigos, os que têm necessidade dos outros não sejam abandonados por aqueles dos quais têm necessidade. Neste caso transfiram-se todos para lugares seguros; mas se alguns têm necessidade de permanecer, não sejam abandonados por aqueles que têm o dever de os assistir com o ministério sagrado, de modo que se salvem juntamente ou juntos suportem as calamidades que o Pai de família quiser que sofram" (Ep 228, 2). E concluía: "Esta é a prova suprema da caridade" (ibid., 3). Como não reconhecer, nestas palavras, a mensagem heróica que tantos sacerdotes, aol ongo dos séculos, acolheram e fizeram própria?

Entretanto a cidade de Hipona resistia. A casa-mosteiro de Agostinho tinha aberto as suas portas para acolher os colegas no episcopado que pediam hospitalidade. Entre eles encontrava-se também Possídio, já seu discípulo, o qual pôde assim deixar-nos o testemunho directo daqueles últimos e dramáticos dias. "No terceiro mês daquela invasão narra ele caiu de cama com febre: era a sua última doença" (Vita, 29, 3). O santo idoso aproveitou daquele tempo finalmente livre para se dedicar com mais intensidade à oração. Costumava afirmar que ninguém, Bispo, religioso ou leigo, por mais irrepreensível que possa parecer o seu comportamento, pode encarar a morte com uma adequada penitência. Por isso ele repetia continuamente entre lágrimas os salmos penitenciais, que tantas vezes recitara com o povo (cf. ibid., 31, 2).

Quanto mais se agravava a doença, mais o Bispo moribundo sentia necessidade de solidão e de oração: "Para não ser incomodado por ninguém no seu recolhimento, cerca de dez dias antes de sair do corpo implorou a nós presentes para não deixar entrar ninguém no seu quarto fora das horas em que os médicos iam visitá-lo ou quando lhe levavam as refeições. A sua vontade foi cumprida exactamente e durante todo aquele tempo ele dedicava-se à oração" (ibid., 31, 3). Cessou de viver a 28 de Agosto de 430: o seu grande coração tinha-se finalmente aplacado em Deus.

"Para a deposição do seu corpo informa Possídio foi oferecido a Deus o sacrifício, ao qual nós assistimos, e depois foi sepultado" (Vita, 31, 5). O seu corpo, em data incerta, foi transferido para a Sardenha e dali, por volta de 725, para Pavia, na Basílica de São Pedro "in Ciel d'oro", onde repousa ainda hoje. O seu primeiro biógrafo tem sobre ele este juízo conclusivo: "Deixou à Igreja um clero muito numeroso, assim como mosteiros de homens e de mulheres cheios de pessoas dedicadas à continência sob a obediência dos seus superiores, juntamente com as bibliotecas que contêm livros e discursos seus e de outros santos, dos quais se conhece qual foi por graça de Deus o seu mérito e a sua grandeza na Igreja, e nos quais os fiéis sempre o encontram vivo" (Possídio, Vita, 31, 8). Trata-se de uma afirmação à qual nos podemos associar: nos seus escritos também nós o "encontramos vivo". Quando leio os escritos de Santo Agostinho não tenho a impressão que é um homem morto mais ou menos há mil e seiscentos anos, mas sinto-o como um homem de hoje: um amigo, um contemporâneo que me fala, que fala a nós com a sua fé vigorosa e actual. Em Santo Agostinho que nos fala, fala a mim nos seus escritos, vemos a actualidade permanente da sua fé; da fé que vem de Cristo, Verbo Eterno Encarnado, Filho de Deus e Filho do homem. E podemos ver que esta fé não é de ontem, mesmo tendo sido pregada ontem; é sempre de hoje, porque Cristo é realmente ontem, hoje e para sempre. Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida. Assim nos encoraja Santo Agostinho a confiar-nos a este Cristo sempre vivo e a encontrar assim o caminho da vida.

Fonte: Vaticano

Cartas sobre Fé - Sexta Carta


Leia também: ---------------------------------------------

Por
Pe. Emmanuel-André


QUAL A DIFERENÇA ENTRE FÉ E SENTIMENTO RELIGIOSO

A senhora leu com atenção minha carta anterior e pede-me para que eu a ajude a compreender bem a diferença que há entre Fé e sentimento religioso. A tarefa será fácil, desejo que meu trabalho lhe seja útil.

Lembre-se das breves palavras do Pe. Lacordaire: A Fé é a Fé.

O sentimento é assim o respeito que temos, como criaturas, por nosso Pai que está no Céu e que, unicamente porque nos criou, nos olha como filhos, nos dá o pão de cada dia, a luz de seu sol, os frutos da terra, a vida, a saúde, e mil outros bens igualmente da ordem natural.

O sentimento religioso sendo natural ao homem, se encontra em todos os homens fiéis ou infiéis; pois todos têm esse fundo comum de respeito a Deus, que algumas vezes se traduz por um ato religioso fundado sobre a verdade, como entre os cristãos; outras vezes por um ato religioso manchado de erros como entre os infiéis, os idólatras, etc.

Entre os povos, há alguns cujo sentimento religioso é naturalmente muito profundo, por exemplo os árabes. Um árabe não faltará à prece da manhã, à do meio dia e à da noite. Ao escutar o muezzin gritar do alto do minarete a fórmula sagrada: La Allah, etc., imediatamente ele se põe a rezar, esteja na companhia de quem quer que seja, no lugar que for, no meio de uma praça ou no trabalho; quando chega a hora, ele reza. Por este mesmo sentimento religioso, o árabe relaciona tudo à vontade de Deus; os acidentes da vida, a saúde, a doença, mesmo a morte, ele relaciona com Deus e em todas as circunstâncias ele repete: Deus é grande! Eis o sentimento religioso em todo seu poder.

Mas lembre-se que nossa natureza decaiu com Adão, e uma natureza decaída só pode ter um sofrimento religioso também abatido pela decadência. A natureza não pode se elevar sozinha; o sentimento religioso puramente natural não pode, de modo algum, levar o homem a Deus nem tirá-lo do pecado.

Com toda a religiosidade natural, este mesmo árabe conservará todos os vícios que infelizmente lhe são também naturais: ele será vaidoso, mentiroso, ladrão; praticará, por exemplo, a hospitalidade, mas sabendo por onde seu hóspede vai passar, mandará alguém para o assaltar, ou irá ele mesmo fazer ao longe o que não faria estando em sua tenda.

Por este traço característico a senhora poderá reconhecer o sentimento natural; este sentimento nada vê, nada quer, nada pode contra o pecado.

O sentimento religioso quando permanece em estado natural, é indiferente em matéria de religião. O sentimento religioso se acomoda a tudo, se arranja com tudo, se presta a tudo e não se entrega a nada. Perdão, pode entregar-se à maçonaria, ao menos quando os maçons reconhecem o Grande Arquiteto, como ele dizem.

Tendo mostrado o primeiro quadro, chego ao segundo.

- A Fé não é um sentimento, a Fé não é da ordem natural.

- A Fé é um assentimento de nosso espírito à verdade revelada por Deus. É um bem que não deriva de nossa natureza, mas lhe é dado para curá-la.

- A Fé é essencialmente purificante. Fide purificans cordaPurificando pela Fé os corações.(At. 15,9).

- A Fé esclarece o espírito e o despoja do erro; levanta o homem caído, recoloca-o no caminho de Deus: a Fé põe as bases da obra da salvação, encaminha o homem para o bem.

- A Fé é essencialmente fortificante. Confortus fide, diz São Paulo (Rom. 4,20). E ainda, Fide stas: se estás em pé, é pela Fé (id. 11,20).

- A Fé é vivificante: o justo vive da Fé, diz São Paulo (Gal. 3,11)

- Se o sentimento religioso nos deixa frios em relação a Nosso senhor Jesus Cristo, já não é assim com a Fé; pela Fé, Nosso Senhor Jesus Cristo se torna presente, vivo em nossos corações: Christum habitare per fidem in cordibus vestrisCristo habite pela Fé em vossos corações. (Ef. 3,17).

- A Fé é o princípio de um mundo novo, regenerado em Jesus Cristo Nosso Senhor; a Fé é a luz que anuncia os esplendores da eternidade onde veremos Deus; a Fé é a mãe da santa Esperança e da divina Caridade.

- A Fé é sobre a terra, a fonte pura de todas as verdadeiras consolações. É ainda São Paulo quem nos diz: Simul consolari per eam quae invicem est, fidem vestram atque meam - Consolemo-nos juntos na Fé que nos é comum, a vós e a mim (Rom. 1,12).

Quando se fala da Fé, São Paulo é um mestre incomparável. Dele é que tomo uma última palavra para terminar esta carta: Saluta eos qui nos amant in fide - Saudai os que nos amam na Fé.

Digamos juntos: Credo.

Continua...

Cartas sobre Fé - Quinta Carta


Leia também: ---------------------------------------------

Por Pe. Emmanuel-André

A FÉ NÃO É SUBSTITUÍDA PELO SENTIMENTO


Atacada por todos os lados, hoje a Fé tornou-se rara nas almas. À medida que os tempos avançam, caminhamos para a realização das palavras de Nosso Senhor: «Quando o Filho do homem voltar, crês que Ele encontrará Fé sobre a Terra?». (Lc. 18,8).

Repare que as almas que vemos já não ter Fé, tiveram-na ao menos no batismo. Estas almas estão em um estado bem diferente dos infiéis que nunca tiveram Fé. A Fé é um bem tão grande que uma vez entrando numa alma fica sempre alguma coisa.

São Francisco de Sales disse, a respeito da caridade: «A caridade tendo sida separada da alma pelo pecado deixa, muitas vezes, alguma coisa que parece com a caridade, que pode iludir e nos entreter em vão».

Esta aparência de Fé, porque ela é apenas aparência, não passa de um fingimento de Fé; uma Fé fingida ou, se quiser, imaginada, é o que se chama sentimento religioso.

Os sentimentos religiosos! Uma espécie de presente que os homens querem dar a Deus, pelo qual Deus deve se sentir muito agradecido; um fundo de benevolência que o homem sente por Deus; uma sorte de polidez, de bom tom, de bom gosto do homem em relação a Deus; sim, tudo que quiser neste gênero, que a pouco obrigue, que não atrapalhe, que se acomode, que se preste a tudo, e não se comprometa com coisa alguma: aí está o que geralmente se entende por sentimentos religiosos, mas isto não é a Fé. Assim como a aparência de Caridade pode nos iludir e nos entreter em vão, a aparência de Fé pode nos iludir e nos ilude muitas vezes e pode nos entreter e nos entretém amiúdo, em vão.

E como isto acontece? perguntará a senhora. A resposta é fácil. Um cristão, para agradar a Deus, deve fazer atos de Fé a toda hora. Na oração, na prática da vida cristã, na recepção dos sacramentos, o cristão deve ter como obrigação severa praticar a Fé, fazendo atos interiores para acompanhar muitos atos exteriores da vida cristã. Este é o dever.

Ora, o perigo, a decepção consiste em fazer atos da vida cristã não com Fé mas com aparência de Fé ou sentimentos religiosos.

A Fé é então substituída pelo sentimento, a realidade pela imaginação. Neste estado podem-se fazer muitas orações sem rezar, confessar-se sem querer se emendar, receber a Eucaristia sem se unir a Jesus Cristo.

Segundo o que ouvi dizer, tanto por um Bispo como por um missionário que percorreu toda a França e estudou atentamente o estado das almas, parece que hoje, sob muitos pontos de vista, fazemos apenas com a máscara da Fé o que deve ser feito com a Fé.

Isto ajudará a senhora a compreender e a poupará do sofrimento quando chegar o dia em que reconhecer que um bom número de cristãos, que se dizem devotos e praticantes, têm exatamente os mesmos vícios dos mundanos não praticantes. Eles praticam, ai de nós! mas a Fé não é o princípio de seus atos religiosos, eles são cristãos em imaginação, e na realidade viciosos como tantos outros.

O sentimento religioso é certamente um dom de Deus. É um bem, um bem de ordem natural. O sentimento religioso é a conseqüência natural de nossa qualidade de criaturas, como o respeito aos pais é natural nos filhos.

Digamos juntos: Credo.

Continua...

Cartas sobre Fé - Quarta Carta


Leia também: ------------------------------------------

Por Pe. Emmanuel-André


A FÉ PODE AUMENTAR OU SE PERDER

Como Aumenta – Como se Perde

A Fé pode aumentar, a Fé pode diminuir e se perder. A Fé, consistindo essencialmente na adesão de nosso espírito à verdade revelada, aumenta ou diminui segundo seja a adesão mais ou menos firme.

Ora, sendo a alma humana ativa por natureza, é indispensável que sua Fé aumente ou diminua. Ela aumenta se a alma avança no conhecimento do Pai e do Filho e do Espírito Santo, se a alma penetra melhor nas verdades do Credo, em uma palavra, se a alma progride no caminho da verdade.

Mas como a Fé requer, juntamente com assentimento do espírito, o movimento de piedade da vontade que quer crer, evidentemente a Fé também pode e deve crescer pelo caminho da vontade que se submete cada vez mais docilmente, cada vez mais amorosamente à verdade divina. Assim, duas coisas ajudarão singularmente a Fé em seu progresso, a saber: a instrução e a piedade. A instrução, o cristão a encontrará na pregação, no Catecismo, nas leituras santas; a piedade consistirá sobretudo na fidelidade às promessas do batismo; o cristão ajudado pela oração e pelos sacramentos, crescerá na Fé.

Todo cristão que quer crescer na Fé, deve vigiar com redobrada atenção contra tudo que for capaz de enfraquecer a Fé. Ele deve tomar cuidado para não se deixar levar pelas máximas deste mundo, pois o mundo, enquanto mundo, só se ocupa das coisas sensíveis; a Fé, ao contrário, nos mostra o preço inestimável das coisas invisíveis. O mundo só vê o presente; a Fé, que nos esclarece tanto sobre o passado quanto sobre o presente, nos faz velar principalmente sobre o futuro. O mundo está todo voltado para os gozos da terra; a Fé nos ensina que este é o tempo das privações e das penitências e nos mostra que Deus é o único bem verdadeiro em que podemos repousar nossas almas e esperar os verdadeiros gozos.

É preciso pois velar para permanecer fiel, quer dizer, crente. E quem assim velar, verá infalivelmente crescer em sua alma as luzes tão doces, tão serenas da verdade eterna; e quanto mais entrar nesta luz, mais ele provará o quanto o Senhor é doce, o quanto é precioso e inestimável o dom da Fé. Ao contrário, toda alma que não velar, que se deixar embalar pelas promessas insignificantes de um mundo que nada tem, que nada sabe, que nada pode, toda alma que não velar, verá sua Fé diminuir para em seguida se perder completamente.

Se tivéssemos olhos para ver o lamentável espetáculo das almas que perdem a Fé, não teríamos lágrimas que chegassem para chorar tão grande infelicidade.

Alguns perdem a Fé logo depois do batismo; esses não receberam a instrução cristã necessária, e suas almas nunca fizeram o ato de Fé. Privado de seu ato, o hábitus posto em suas almas no dia do batismo foi facilmente reduzido a nada. É muito raro que as almas que perderam a Fé nestas condições a tornem a encontrar. Elas tornam-se estranhas a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo e vivem apenas uma vida terrestre, triste prelúdio de uma morte eterna.

Outros perdem a Fé pouco depois da primeira comunhão. Esses entram em um mundo descrente do qual não desconfiam, e imaginam que eles é que foram ingênuos por terem acreditado um pouco. Se chega o pecado mortal, coisa fácil de acontecer, será fácil também perder a Fé e fechar os olhos à pura luz que os havia tornado tão felizes no dia de sua primeira comunhão.

Ainda outros perdem a Fé nas escolas. Tanto escolas primárias como escolas superiores, fazem freqüentemente os batizados perderem a Fé. Aí não se ensina a conhecer o único e verdadeiro Deus, a saber o Pai e o Filho e o Espírito Santo; as escolas primárias têm como principal objetivo a formação do plural e do sistema métrico; às superiores só interessa o diploma de bacharel e de doutor. Sem falar daquelas onde se ensina consciente e propositadamente a impiedade, o indiferentismo ou mesmo o ateísmo.

Finalmente, há os que perdem a Fé pelos interesses materiais. Preocupados demais com os negócios, entregues inteiramente a especulações financeiras, esquecem seu batismo, negligenciam o cuidado com sua alma, não vivem mais da Fé, não velam mais para que sua Fé seja alimentada e perdem-na, talvez mesmo sem sentir.

Ó Deus, Deus meu, vós que por vossa graça nos haveis dado a Fé, por esta mesma graça conservai-nos na Fé!

Continua...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Desvendando o enigma do DVD

Fonte: Pró-vida Anápolis

(como as “Católicas pelo Direito de Decidir” vieram parar dentro do DVD da Campanha da Fraternidade 2008)

Quando foi divulgada a notícia de que o grupo pró-aborto “Católicas pelo Direito de Decidir” (CDD) havia tomado parte na confecção do DVD da Campanha da Fraternidade de 2008 (“Fraternidade e defesa da vida”), seria normal pensar que a iniciativa partiu das próprias “Católicas”.

De fato, tendo escritório no andar imediatamente acima da sede do Regional Sul 1 da CNBB, no mesmo prédio alugado pela Ordem Carmelita[1], alguém poderia pensar que elas fizeram um trabalho de “infiltração”, até obterem o espaço desejado no vídeo.

Mas a história foi outra. Não foi preciso que elas pedissem para participar. Elas é que foram convidadas. Por quem? Pelo Sr. Nelson Tyski, um padre verbita que deixou o sacerdócio e hoje trabalha na Verbo Filmes[2].

Antes de contar o que ocorreu, convém explicar como tudo veio ao público. Muito simples: já era público. As CDD criaram um grupo de discussão no Yahoo, no endereço http://br.groups.yahoo.com/group/cdd-br. Quando se cria um grupo de discussão, pode-se escolher se as mensagens ficarão acessíveis ao público, ou se somente os membros do grupo terão acesso a elas. No caso, elas optaram por deixar as mensagens acessíveis a todos. Assim, no dia 9 de janeiro deste ano, o autor do blog “O possível e o extraordinário[3], copiou e publicou as mensagens em que aparecia o convite de participar do vídeo da Campanha da Fraternidade. Nada de espionagem, de interceptação telefônica ou de gravação clandestina. Nada de invasão da privacidade, já que o acesso às mensagens foi franqueado ao público. Eis como tudo aconteceu.

No dia 12 de setembro de 2007, ele Sr. Nelson Tyski fez o convite. No mesmo dia, Sra. Dulce Xavier, membro da CDD, enviou o recado às colegas:[4]

Companheiras,

Em anexo o texto da CF 2008. O Nelson - da Verbo Filmes - quer nos incluir num vídeo que eles vão fazer sobre o tema da CF. Vou ligar para saber mais sobre o vídeo, qual vai ser o roteiro - se terá perguntas, quais, etc. e que condições teremos de acompanhara produção do mesmo para saber o que vai ser editado da nossa fala. Vou repassando estas conversas, certo?

Dulce

No dia 17 de setembro, uma nova mensagem:[5]

Meninas,

Lembram que eu falei sobre a nossa participação num vídeo sobre a CF 2008 da Verbo Filmes ??? Pois é, o Nelson está solicitando quando podemos fazer isso. Isso deve levar no mínimo uma hora. Conversei com a Zeca e a Yury e elas acham que é importante CDD participar. Quem poderia dar um depoimento? Precisamos definir quem e ver a disponibilidade de tempo. O que acham?

Dulce

No mesmo dia, Sra. Maria José Rosado (Zeca), presidente das CDD, respondeu:[6]

Isso pode ser um ponto de pauta da reunião, não é?!

Zeca

No dia 18 de setembro, Sra. Dulce Xavier respondeu ao Sr. Nelson Tyski:[7]

Olá Nelson,

Conversei com a Equipe e decidimos que vamos sim gravar o depoimento. Teremos uma reunião na quinta-feira, quando decidiremos quem pode fazer isso. Você pode esperar até lá? Você poderia nos indicar um roteiro deste depoimento? Quais as perguntas serão feitas? E ainda qual o melhor dia ou horário para vocês? Assim, vamos organizando nosso tempo também.

Abraços

Dulce

Foi assim que o vídeo foi feito. Sra. Dulce Xavier foi a escolhida para fazer uma fala de 5 minutos, na qual criticou a Igreja Católica por não aceitar a anticoncepção, e defendeu a realização do aborto pela rede hospitalar pública para preservar “a vida das mulheres”.

Na segunda quinzena de dezembro de 2007, o DVD produzido pela Verbo Filmes, com a fala de Sra. Dulce Xavier, foi colocado à venda nas livrarias católicas. Embora a CNBB não fosse a produtora, seu logotipo aparecia no cartaz oficial da Campanha da Fraternidade, que foi estampado na capa.

A inserção das “católicas” no vídeo tinha sido feita sem a autorização da CNBB, que, quando soube da notícia, exigiu o recolhimento dos DVDs. A Verbo Filmes fez então uma outra edição, desta vez sem a fala das CDD. Quando as “católicas” vieram a saber disso, comentaram o assunto em sua lista. No dia 11 de janeiro de 2008, Sra. Dulce Xavier escreveu uma mensagem com o assunto “Notícias sobre as ações dos Pró-morte”[8]:

Dando continuidade aos informes sobre a participação de CDD no vídeo da CF 2008:

Conversei com o Nelson da Verbo Filmes que me informou o seguinte:

O Secretário Geral da CNBB, Dom Dimas, foi quem solicitou a retirada da fala de Católicas. O DVD é divulgado com o Logo da CNBB e a ordem religiosa, segundo seus responsáveis, não teve alternativa a não ser ceder diante da pressão, apesar de reconhecer a necessidade de considerar outros argumentos além dos "oficiais".

Segundo O Nelson, o depoimento de CDD foi retirado do DVD, assim como o da Marília - Movimento em Defesa da Vida. Os DVDs estão sendo substituídos pela nova versão.

Os verbitas reconhecem a necessidade de ouvir as várias posições sobre o tema, no entanto o Secretário Geral da CNBB declarou que os padres não estão preparados para conduzir este debate com suas comunidades.

O Nelson e outro padre (que não me lembro o nome) pediram desculpas e reforçaram o entendimento deles sobre a necessidade de um debate sobre estas questões, considerando a prática real dos/das católicos. E ainda chamaram a atenção para a disputa de poder interna dentro da IC.

Enfim, conversando com a Zeca ela sugeriu de enviar estas informações para os meios de comunicação;

Já dei uma entrevista sobre esta questão para o Jornal Gazeta do Povo do Paraná, mas ainda não recebi a matéria.

Abçs

Dulce

Refletindo...

A presença abortista na Igreja está bem mais próxima do que se pensa. No caso acima documentado, quem tomou a iniciativa foi a própria Verbo Filmes, uma empresa fundada em 1979, de propriedade da Congregação do Verbo Divino. E foi a contragosto, pedindo desculpas às CDD, que a Verbo Filmes voltou atrás.

É necessário e urgente, não só que a CNBB se manifeste sobre as CDD, mas que o caso chegue ao conhecimento da Santa Sé, uma vez que estão envolvidas ainda outras duas entidades religiosas: os Verbitas (donos da Verbo Filmes, que produziu o vídeo) e os Carmelitas (proprietários do imóvel alugado às CDD).


Estatísticas pró-aborto

O ex-abortista Dr. Bernard Nathanson, depois de convertido à causa pró-vida, confessou quantas mentiras havia inventado e divulgado sobre o aborto nos Estados Unidos. No Brasil, usa-se a mesma estratégia, por exemplo, multiplicando por mil o número de mortes maternas em decorrência de abortos “mal feitos”. Mas, ainda que a pesquisa seja verdadeira, os abortistas escolhem os dados a publicar e os dados a ocultar.

As CDD, por exemplo, encomendaram ao IBOPE uma pesquisa logo após a visita do Papa. No entanto, um dos resultados não agradou: o número de pessoas favoráveis ao chamado “Estado laico” diminuiu com a vinda do Santo Padre. Então, elas resolveram ocultar esse dado, conforme a seguinte mensagem de Dulce Xavier, de 1º de agosto de 2007:[9]

Companheiras

[...]

Segue texto e tabela da Pesquisa feita pelo IBOPE depois do Papa.

Neste fim de semana deverá ser veiculado pelo ESTADÃO, Revista Isto É, e alguma TV.

Acho legal vocês saberem pois alguém pode ligar para saber, etc.

A Idéia da Fátima Jordão foi de não divulgar os dados da pesquisa de CDD de 2005 junto com a de 2007 porque havia resultado como ex. do Estado Laico que diminuíram a concordância pós Papa; o combinado então foi de trabalhar apenas com um dado anterior, de uma pergunta feita pelo Vox Populi um pouco antes da vinda do Papa em 2007.

Enfim p. favor dêem uma olhada para saberem o que está rolando.

Dulce

Roma, 22 de janeiro de 2008.
Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz
Presidente do Pró-Vida de Anápolis


[1] Rua Sebastião Soares de Faria, n.º 56, São Paulo, SP.

[2] A história da vida do Sr. Nelson Tyski é narrada por ele próprio no sítio dos Missionários do Verbo Divino (Verbitas):

[3]

[4] http://br.groups.yahoo.com/group/cdd-br/message/1906

[5] http://br.groups.yahoo.com/group/cdd-br/message/1917

[6] http://br.groups.yahoo.com/group/cdd-br/message/1921

[7] http://br.groups.yahoo.com/group/cdd-br/message/1922

[8] http://br.groups.yahoo.com/group/cdd-br/message/2151 “Pró-morte” é o apelido carinhoso com que ela chama a nós, pró-vida.

[9] http://br.groups.yahoo.com/group/cdd-br/message/1813

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Contra a verdade não temos poder algum; temo-lo apenas em prol da verdade.(II Coríntios 13,8)