Contra a verdade não temos poder algum; temo-lo apenas em prol da verdade. (II Coríntios 13,8)

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Ladainha de São Rafael Arcanjo


Senhor, tende piedade de nós

Cristo, tende piedade de nós


Senhor, tende piedade de nós


Jesus Cristo, ouvi-nos


Jesus Cristo, atendei-nos


Deus, Pai Celestial, criador dos Espíritos Celestes, tende piedade de nós;

Deus Filho, Redentor do mundo, a quem os Anjos desejam sempre contemplar, tende piedade de nós;


Deus Espírito Santo, felicidade dos Espíritos Bem-aventurados, tende piedade de nós;


Santíssima Trindade que sois um só Deus, Glória dos Santos Anjos, tende piedade de nós;


São Rafael, Anjo da Saúde, rogai por nós;


São Rafael, um dos sete espíritos que estão sempre diante do trono de Deus, rogai por nós;

São Rafael, que afastais para longe de nós os espíritos malignos, rogai por nós;


São Rafael, fiel condutor de Tobias, rogai por nós;


São Rafael, que levais nossas preces ao trono de Deus, rogai por nós;

São Rafael, que curastes a cegueira de Tobit pai de Tobias, rogai por nós;


São Rafael, auxílio nas tribulações, rogai por nós;


São Rafael, consolo nas necessidades, rogai por nós;


São Rafael, que tornais felizes os vossos devotos, rogai por nós;

Jesus Cristo, felicidade dos Anjos, perdoai-nos; Jesus Cristo, glória dos Espíritos Celestes, ouvi-nos;

Jesus Cristo, esplendor dos exércitos celestiais, tende piedade de nós.

Oremos:

Ó Deus, que, em vossa inefável providência, fizestes São Rafael o condutor fiel de vossos filhos em suas viagens, humildemente vos imploramos que possamos ser conduzidos por ele no caminho da salvação e experimentemos seu auxílio nas doenças do corpo e da alma. Por Jesus Cristo, Nosso Senhor.

Amém.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

São João Crisóstomo - Parte II

PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

São João Crisóstomo (2)

Queridos irmãos e irmãs!

Continuamos hoje a nossa reflexão sobre São João Crisóstomo. Depois do período passado em Antioquia, em 397 ele foi nomeado Bispo de Constantinopla, a capital do Império romano do Oriente. Desde o início, João projectou a reforma da sua Igreja: a austeridade do palácio episcopal devia servir de exemplo para todos clero, viúvas, monges, palacianos e ricos.

Infelizmente, muitos destes, atingidos pelos seus juízos, afastaram-se dele. Solícito pelos pobres, João foi chamado também "Esmoler". De facto, como administrador atento ele conseguiu criar instituições caritativas muito apreciadas. O seu arrojo nos vários âmbitos fez com que ele se tornasse para alguns um rival perigoso. Ele, contudo, como verdadeiro Pastor, tratava todos de modo cordial e paterno. Sobretudo, destinava considerações sempre ternas às mulheres e cuidados especiais ao matrimónio e à família. Convidava os fiéis a participar na vida litúrgica, por ele tornada esplendorosa e atraente com genial criatividade.

Não obstante o coração generoso, não teve uma vida tranquila. Pastor da capital do Império, viu-se com frequência envolvido em questões e intrigas políticas, devido aos seus contínuos relacionamentos com as autoridades e as instituições civis. Depois, a nível eclesiástico foi acusado de ter superado os confins da própria jurisdição, e tornou-se assim alvo de fáceis acusações. Outro pretexto contra ele foi a presença de alguns monges egípcios, excomungados pelo patriarca Teófilo de Alexandria que se refugiaram em Constantinopla. Uma acesa polémica foi depois originada pelas críticas feitas por Crisóstomo à imperatriz Eudóxia e às suas palacianas, que reagiram desacreditando-o e insultando-o. Chegou-se assim à sua deposição, no sínodo organizado pelo mesmo patriarca Teófilo em 403, com a consequente condenação ao primeiro breve exílio. Depois do seu regresso, a hostilidade suscitada contra ele desde o protesto contra as festas em honra da imperatriz que o Bispo considerava como festas pagãs, sumptuosas e a expulsão dos presbíteros encarregados dos Baptismos na Vigília pascal de 404 marcaram o início da perseguição de Crisóstomo e dos seus seguidores, os chamados "Joanitas".

Então João denunciou através de carta os factos ao Bispo de Roma, Inocêncio I. Mas já era demasiado tarde. No ano de 406 teve de novo que se refugiar no exílio, desta vez em Cucusa, na Arménia. O Papa estava convencido da sua inocência, mas não tinha o poder de o ajudar. Um Concílio, querido por Roma para uma pacificação entre as duas partes do Império e entre as suas Igrejas, não pôde ser realizado. O deslocamento extenuante de Cucusa para Pytius, meta nunca alcançada, devia impedir as visitas dos fiéis e interromper a resistência do exiliado extenuado: a condenação ao exílio foi uma verdadeira condenação à morte! São comovedoras as numerosas cartas do exílio, nas quais João manifesta as suas preocupações pastorais com tonalidades de participação e de sofrimento pelas perseguições contra os seus. A marcha rumo à morte terminou em Comano no Ponto. Aqui, João moribundo, foi levado para a capela do mártir São Basilisco, onde rendeu a alma a Deus e foi sepultado, mártir ao lado do mártir (Palladio, Vita 119). Era o dia 14 de Setembro de 407, festa da Exaltação da Santa Cruz. A reabilitação teve lugar em 438 com Teodósio II. As relíquias do santo Bispo, colocadas na igreja dos Apóstolos em Constantinopla, foram depois trasladadas em 1204 para Roma, para a primitiva Basílica constantiniana, e agora jazem na capela do Coro dos Cónegos da Basílica de São Pedro. A 24 de Agosto de 2004 uma considerável parte delas foi doada pelo Papa João Paulo II ao Patriarca Bartolomeu I de Constantinopla. A memória litúrgica do santo celebra-se a 13 de Setembro. O beato João XXIII proclamou-o padroeiro do Concílio Vaticano II.

Foi dito acerca de João Crisóstomo que, quando foi colocado no trono da Nova Roma, isto é, Constantinopla, Deus mostrou nele um segundo Paulo, um doutor do Universo. Na realidade, em Crisóstomo há uma unidade substancial de pensamento e de acção tanto em Antioquia como em Constantinopla. Mudam só o papel e as situações. Meditando sobre as oito obras realizadas por Deus no suceder-se dos seis dias no comentário do Génesis, Crisóstomo deseja reconduzir os fiéis da criação ao criador: "É um grande bem", diz, "conhecer o que é a criatura e o que é o Criador".

Mostra-nos a beleza da criação e a transparência de Deus na sua criação, a qual se torna assim quase que uma "escada" para subir a Deus, para o conhecer. Mas a este primeiro passo acrescenta-se um segundo: este Deus criador é também o Deus da condescendência (synkatabasis). Nós somos débeis na "subida", os nossos olhos são débeis. E assim Deus torna-se o Deus da condescendência, que envia ao homem pecador e estrangeiro uma carta, a Sagrada Escritura, de modo que criação e Sagrada Escritura completam-se. À luz da Escritura, da carta que Deus nos deu, podemos decifrar a criação. Deus é chamado "pai terno" (philostorgios) (ibid.), médico das almas (Homilia 40, 3 sobre o Génesis), mãe (ibid.) e amigo afectuoso (Sobre a providência 8, 11-12). Mas a este segundo passo primeiro a criação como "escada" para Deus e depois a condescendência de Deus através duma carta que nos deu, a Sagrada Escritura acrescenta-se um terceiro passo. Deus não só nos transmite uma carta: em definitiva, desce Ele mesmo, encarna-se, torna-se realmente "Deus connosco", nosso irmão até à morte na Cruz. E a estes três passos Deus é visível na criação, Deus dá-nos uma sua carta, Deus desce e torna-se um de nós acrescenta-se no final um quarto passo. No arco da vida e da acção do cristão, o princípio vital e dinâmico é o Espírito Santo (Pneuma), que transforma as realidades do mundo. Deus entra na nossa existência através do Espírito Santo e transforma-nos do interior do nosso coração.


Nesta panorâmica, precisamente em Constantinopla João, no comentário continuativo dos Actos dos Apóstolos, propõe o modelo da Igreja primitiva (Act 4, 32-37) como modelo para a sociedade, desenvolvendo uma "utopia" social (quase uma "cidade ideal"). De facto, tratava-se de dar uma alma e um rosto cristão à cidade. Por outras palavras, Crisóstomo compreendeu que não é suficiente dar esmola, ajudar os pobres sempre que precisem, mas é necessário criar uma nova estrutura, um novo modelo de sociedade; um modelo baseado na perspectiva do Novo Testamento. É a nova sociedade que se revela na Igreja nascente. Portanto João Crisóstomo torna-se assim realmente um dos grandes Padres da Doutrina Social da Igreja: a velha ideia da "polis" grega é substituída por uma nova ideia de cidade inspirada na fé cristã. Crisóstomo defendia com Paulo (cf. 1 Cor 8, 11) a primazia de cada cristão, da pessoa como tal, também do escravo e do pobre. O seu projecto corrige assim a tradicional visão grega da "polis", da cidade, na qual amplas camadas de população eram excluídas dos direitos de cidadania, enquanto na cidade cristã todos são irmãos e irmãs com iguais direitos. A primazia da pessoa é também a consequência do facto que realmente partindo dela se constrói a cidade, enquanto que na "polis" grega a pátria era superior ao indivíduo, o qual estava totalmente subordinado à cidade no seu conjunto. Assim com Crisóstomo tem início a visão de uma sociedade construída pela consciência cristã. E ele diz-nos que a nossa "polis" é outra, "a nossa pátria está no céu" (Fl 3, 20) e esta nossa pátria também nesta terra nos torna iguais, irmãos e irmãs, e obriga-nos à solidariedade.

No final da sua vida, do exílio nos confins da Arménia, "o lugar mais remoto do mundo", João, voltando à sua primeira pregação de 386, retomou o tema que lhe era tão querido do plano que Deus prossegue em relação à humanidade: é um plano "indizível e incompreensível", mas certamente guiado por Ele com amor (cf. Sobre a providência 2, 6). É esta a nossa certeza.

Mesmo se não podemos decifrar os pormenores da história pessoal e colectiva, sabemos que o plano de Deus se inspira sempre no seu amor. Assim, apesar dos sofrimentos, Crisóstomo reafirmava a descoberta de que Deus ama cada um de nós com um amor infinito, e por isso deseja que todos se salvem. Por seu lado, o santo Bispo cooperou nesta salvação generosamente, sem se poupar, ao longo de toda a sua vida. De facto ele considerava o fim último da sua existência a glória de Deus, que já agonizante deixou como extremo testamento: "Glória a Deus por tudo!" (Palladio, Vita 11).

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Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070926_po.html

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Próxima reunião do grupo...

REUNIÃO ADIADA!!!

Em breve uma nova postagem agendará uma nova data e os detalhes da próxima reunião!

Obrigado pela compreensão.

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Salve Maria a todos!

Próxima reunião do Grupo de Estudo Veritas marcada.

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Data: 14.10.2007 [DOMINGO]
Hora: 9:30 da manhã.
Local: IMC, Manaus.
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Contamos com presença dos membros e a quem desejar.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

São João Crisóstomo - Parte I

Queridos amigos,
Salve Maria!

Serão postados uma série de belos textos provindos das audiências gerais do Papa Bento XVI.
São textos profundos e precisos que mostram todo conhecimento teológico do Papa. Iniciaremos com a série Grandes Padres da Igreja. Aproveitem a leitura.


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PAPA BENTO XVI

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 19 de Setembro de 2007

São João Crisóstomo (1)

Queridos irmãos e irmãs!

Celebra-se este ano o 16º centenário da morte de São João Crisóstomo (407-2007). Pode-se dizer que João de Antioquia, chamado Crisóstomo, isto é "Boca de ouro", ainda hoje está vivo devido à sua eloquência e também às suas obras. Um copista anónimo deixou escrito que elas "atravessam toda a terra como relâmpagos buliçosos". Os seus escritos permitem também a nós, como aos fiéis do seu tempo, que foram repetidamente privados dele por causa dos seus exílios, de viver com os seus livros, apesar da sua ausência. Foi quanto ele próprio sugeriu do exílio numa sua carta (cf. A Olimpiade, Carta 8, 45).

Nascido por volta de 349 em Antioquia da Síria (hoje Antakaya, no sul da Turquia), ali desempenhou o ministério presbiteral durante onze anos, até 397, quando, nomeado Bispo de Constantinopla, exerceu na capital do Império o ministério episcopal antes dos dois exílios, que foram um a pouco tempo do outro, entre 403 e 407. Limitamo-nos hoje a considerar os anos antioquenos de Crisóstomo.

Tendo ficado órfão de pai em tenra idade, viveu com a mãe, Antusa, que lhe transmitiu uma requintada sensibilidade humana e uma profunda fé cristã. Tendo frequentado os estudos primários e superiores, coroados pelos cursos de filosofia e retórica, teve como mestre Libânio, pagão, o mais célebre mestre de retórica da época. Na sua escola, João tornou-se o maior orador da antiguidade grega tardia. Baptizado em 368 e formado na vida eclesiástica pelo Bispo Melézio, foi por ele instituído leitor em 371. Este acontecimento marcou a entrada oficial de Crisóstomo no cursus eclesiástico. Frequentou, de 367 a 372, o asceterio, uma espécie de siminário de Antioquia, juntamente com um grupo de jovens, alguns dos quais se tornaram depois Bispos, sob a guia do famoso exegeta Diodoro de Tarso, que iniciou João na exegese histórico-literária, característica da tradição antioquena.

Retirou-se depois durante quatro anos entre os eremitas no vizinho monte Silpio. Prosseguiu aquele retiro por outros dois anos, que viveu sozinho numa gruta sob a orientação de um "idoso". Naquele período dedicou-se totalmente à meditação "das leis de Cristo", dos Evangelhos e especialmente das Cartas de Paulo. Tendo adoecido, encontrou-se impossibilitado de se curar sozinho, e por isso teve que regressar à comunidade cristã de Antioquia (cf. Palladio, Vita 5). O Senhor explica o biógrafo interveio com a enfermidade no momento justo para permitir que João seguisse a sua verdadeira vocação. De facto, escreverá ele mesmo que, colocado na alternativa de escolher entre as adversidades do governo da Igreja e a tranquilidade da vida monástica, teria preferido mil vezes o serviço pastoral (cf. Sul sacerdocio, 6, 7): precisamente para isto Crisóstomo se sentia chamado. E realiza-se aqui a mudança decisiva da sua história vocacional: pastor de almas a tempo inteiro! A intimidade com a Palavra de Deus, cultivada durante os anos da eremitério, tinha amadurecido nele a urgência irresistível de pregar o Evangelho, de doar aos outros o que tinha recebido nos anos da meditação. O ideal missionário lançou-o assim, alma de fogo, no cuidado pastoral.

Entre 378 e 379 regressou à cidade. Diácono em 381 e presbítero em 386, tornou-se célebre pregador nas igrejas da sua cidade. Pronunciou homilias contra os arianos, seguidas pelas comemorativas dos mártires antioquenos e por outras sobre as principais festas litúrgicas: trata-se de um grande ensinamento da fé em Cristo, também à luz dos seus Santos. O ano de 387 foi "o ano heróico" de João, o da chamada "revolta das estátuas". O povo derrubou as estátuas imperiais, em sinal de protesto contra o aumento das taxas. Naqueles dias de Quaresma e de angústia por causa das punições infligidas por parte do imperador, ele pronunciou as suas 22 vibrantes homilias sobre as estátuas, finalizadas à penitência e à conversão. Seguiu-se o período da serena actividade pastoral (387-397).

Crisóstomo coloca-se entre os Padres mais fecundos: dele chegaram até nós 17 tratados, mais de 700 homilias autênticas, os comentários a Mateus e a Paulo (Cartas aos Romanos, aos Coríntios, aos Efésios e aos Hebreus), e 241 cartas. Não foi um teólogo especulativo. Mas transmitiu a doutrina tradicional e segura da Igreja numa época de controvérsias teológicas suscitadas sobretudo pelo arianismo, isto é, pela negação da divindade de Cristo. Portanto, ele é uma testemunha credível do desenvolvimento dogmático alcançado pela Igreja nos séculos IV-V. A sua é uma teologia requintadamente pastoral, na qual é constante a preocupação da coerência entre o pensamento expresso pela palavra e a vivência existencial. É este, em particular, o fio condutor das maravilhosas catequeses, com as quais preparava os catecúmenos para receber o Baptismo.

Próximo da morte, escreveu que o valor do homem consiste no "conhecimento exacto da verdadeira doutrina e na rectidão da vida" (Carta do exílio). As duas coisas, conhecimento da verdade e rectidão na vida, caminham juntas: o conhecimento deve traduzir-se em vida. Cada uma das suas intervenções tinha sempre por finalidade desenvolver nos fiéis o exercício da inteligência, da verdadeira razão, para compreender e traduzir em prática as exigências morais e espirituais da fé.

João Crisóstomo preocupa-se por acompanhar com os seus escritos o desenvolvimento integral da pessoa, nas dimensões física, intelectual e religiosa. As várias fases do crescimento são comparadas a outros tantos mares de um oceano imenso: "O primeiro destes mares é a infância" (Homilia 81, 5 sobre o Evangelho de Mateus). De facto "precisamente nesta primeira idade se manifestam as inclinações para o vício e para a virtude". Por isso a lei de Deus deve ser desde o início impressa na alma "como numa tábua de cera" (Homilia 3, 1 sobre o Evangelho de João): de facto esta é a idade mais importante. Devemos ter presente como é fundamental que nesta primeira fase da vida entrem realmente no homem as grandes orientações que dão perspectiva justa à existência. Por isso Crisóstomo recomenda: "Precavei as crianças desde a mais tenra idade com armas espirituais, e ensinai-lhes a persignar a fronte com a mão" (Homilia 12, 7 sobre a primeira Carta aos Coríntios). Vêm depois a adolescência e a juventude: "à infância segue-se o mar da adolescência, onde os ventos sopram violentos..., porque cresce em nós... a concupiscência" (Homilia 81, 5 sobre o Evangelho de Mateus). Por fim, chegam o noivado e o matrimónio: "À juventude segue-se a idade da pessoa madura, na qual chegam os compromissos de família: é o tempo de procurar esposa" (ibid.).(Homilia 12, 5 sobre a Carta aos Colossences), e os três constituem "uma família, pequena Igreja" (Homilia 20, 6 sobre a Carta aos Efésios). Do matrimónio, ele recorda as finalidades, enriquecendo-as com a referência à virtude da temperança de uma rica trama de relações personalizadas. Os esposos bem preparados impedem o caminho do divórcio: tudo se desenvolve com alegria e podem-se educar os filhos para a virtude. Depois, quando nasce o primeiro filho, ele é "como uma ponte; os três tornam-se uma só carne, porque o filho une as duas partes".

A pregação de Crisóstomo realizava-se habitualmente durante a liturgia, "lugar" no qual a comunidade se constrói com a Palavra e com a Eucaristia. Nela, a assembleia reunida expressa a única Igreja (Homilia 8, 7 sobre a Carta aos Romanos), a mesma palavra dirige-se em qualquer lugar a todos (Homilia 24, 2 sobre a primeira Carta aos Coríntios), e a comunhão eucarística torna-se sinal eficaz de unidade (Homilia 32, 7 sobre o Evangelho de Mateus). O seu projecto pastoral estava inserido na vida da Igreja, na qual os fiéis leigos com o Baptismo assumem o ofício sacerdotal, real e profético. Ele diz ao fiel leigo: "Também a ti o Baptismo torna rei, sacerdote e profeta" (Homilia 3, 5 sobre a segunda Carta aos Coríntios). Provém daqui o dever fundamental da missão, porque cada um de certa forma é responsável da salvação dos outros: "Este é o princípio da nossa vida social... não nos interessarmos apenas de nós!" (Homilia 9, 2 sobre o Génesis). Tudo isto se desenvolve entre dois pólos: a grande Igreja e a "pequena Igreja", a família, em relação recíproca.

Como podeis ver, queridos irmãos e irmãs, esta lição de Crisóstomo sobre a presença autenticamente cristã dos fiéis na família e na sociedade, permanece ainda hoje actual como nunca. Rezemos ao Senhor para que nos torne dóceis aos ensinamentos deste grande Mestre da fé.

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Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/audiences/2007/documents/hf_ben-xvi_aud_20070919_po.html


Orações


Sub tuum praesidium
À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.
R. Amen.
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Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genetrix; nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta.
R. Amen.

Fonte: http://www.montfort.org.br/index.php?secao=oracoes&subsecao=oracoes
&artigo=sub_tuum&lang=bra

Página de Downloads Atualizada!

Pessoal,
Salve Maria!

Está disponível na página de Download do Grupo Veritas a apostila "A Antiga Aliança" de autor desconhecido. É um resumo que mostra os acontecimentos principais da história do Povo de Deus até a iminência da chegada do Messias.

O link direto é http://grupoveritas.googlepages.com/ebooks

Pax Christi!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O Sinal da Cruz


Por Pe. Divino Antônio Lopes, FP.

01. Qual é o sinal do cristão?

R= "O sinal do cristão é a cruz" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).


"Todos os batizados são cristãos. Os cristãos têm um sinal que os distingue das pessoas que não o são. É o Sinal da Cruz. Sinal quer dizer distintivo; assim como uma pessoa traz no seu peito um distintivo indicando que pertence àquela sociedade, também os cristãos têm um sinal que os distingue das demais pessoas. Antes de Nosso Senhor, a vista de uma cruz excitava sentimentos de horror e lembrança de criminosos e suplícios horrendos. Hoje, vendo uma cruz, pensamos em Jesus, na Redenção realizada com tanto amor. Ela ocupa na Igreja lugar de honra, impera sobre os edifícios religiosos, brilha como jóia no diadema dos reis e nos cemitérios recorda a doce esperança cristã. Os cristãos desde a origem da nossa religião fizeram uso deste sinal; ele é para os católicos mais ou menos o que vem a ser a farda para os servidores da Pátria. A forma exterior deste sinal indica o mistério da Redenção, que foi realizado na Cruz. As palavras: "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", indicam o mistério da Santíssima Trindade" (Mons. João Alexandre Loschi, Catecismo Rural, Edições Paulinas, 2ª Edição, maio - 1959).

Exemplos

I. O Sinal da Cruz

Henrique IV, depois de humilhar-se em Canossa, mostrou-se de novo inimigo do Papa e foi com seu exército sitiar Roma. No segundo assalto, apesar da heróica resistência dos sitiados, incendiou todas as muralhas. Um espantoso anel de fogo rodeava a cidade, da qual não se erguiam senão gemidos dos agonizantes e pranto das mulheres aterrorizadas. Então no alto de uma torre, majestoso e pálido, entre e o clarão e o fumo do incêndio, apareceu o Papa Gregório VII, e com gesto solene e calmo fez o sinal da cruz contra as chamas, e imediatamente o fogo se apagou como se tivesse recebido uma chuva torrencial. Todas as vezes que nos encontrarmos em perigos e angústias, confessemos a SS. Trindade fazendo o sinal da cruz, e grande alívio sentirá a nossa alma.

II. O Poder da Cruz

O caso que vou contar é engraçado, mas dá-nos uma preciosa lição sobre o poder da santa cruz. Tinham os monges de certo convento o sagrado dever descer todos os dias à igreja e, ali, sentando-se o Abade sua grande cadeira de superior, e eles nos bancos do presbitério cantavam os louvores de Deus. Sucedeu que, um dia, o santo Abade Leufrido se achava adoentado em seu pobre leito e não pôde descer para presidi ao ofício em sua igreja. O demônio, que vive rodeando também os santos e servos de Deus, achou que era chegada a ocasião de todos os monges lhe prestarem reverência. Tomou, pois, hábito e a figura do Abade, desceu com os outros ao presbitério e sentou-se depressa na grande cadeira com ar de impor­tância. Todos os monges fizeram-lhe reverência; mas um deles chegando atrasado por vir da cela do Abade, viu com espanto outro Leufrido ali sentado. Volta imediatamente à cela abacial, e diz alvoroçado: — Dom Abade, que é isso? Estais ao mesmo tempo em dois lugares? Acabo de encontrar-vos sentado no presbitério, e estais aqui... que é isso? Caiu o Abade na conta do diabólico estratagema e, sentindo-se com forças bastantes, vai à igreja depressa; mas, antes de entrar no presbitério, traça o sinal da cruz em todas as porta e janelas. Entra, depois, no presbitério e, armado de um bom chicote molhado em água benta, começa a açoitar o fingido Abade. O demônio foge espavorido e Leufrido segue-o. O demônio quer passar por uma porta e, embora esteja aberta, volta correndo; aproxima-se de uma janela, e não consegue passar, porque em toda parte encontra pela frente o sinal da cruz. Abade surra a valer; os monges riem-se a bandeiras despregadas, e o diabo escapa, afinal, por uma chaminé! É que o santo esquecera de fazer ali o sinal sagrado. Leufrido tomou, então, a palavra e explicou aos religiosos que Deus permitira aquela cena para que eles conhecessem o poder da Cruz e, nas tentações, não deixassem de benzer-se com o sinal sagrado, que o demônio tanto teme e detesta.

III. Santo Antônio de Pádua e a Cruz

S. António de Pádua, ainda menino, servia de acólito na igreja da Sé, em Lisboa. Um dia, estando no coro, apareceu-lhe o diabo em forma horrível. O menino, sem se amedrontar, fez devotamente o sinal da cruz na grade. O diabo fugiu no mesmo instante. A cruz ficou impressa no mármore, como se este fora de cera.

IV. A tentação e o Sinal da Cruz

Santa Margarida, mártir, era uma donzela de rara beleza. Aos dezesseis anos de idade, dirigiu-se a seu pai, que era pagão, e disse-lhe: "Meu pai, quero confiar-lhe um segredo. O senhor é sacerdote dos ídolos; eu, porém, sou batizada e creio em Jesus Cristo". Imediatamente apoderou-se daquele homem um furor selvagem. Atirou-se sobre a filha, como uma fera e logo mandou metê-la no cárcere. Na prisão apareceu-lhe o demônio, murmurando-lhe ao ouvido: "Ora, vamos, não seja tola... Você é jovem e bela. Aí bem perto a espera um noivo pagão, rico e nobre; com ele você viverá dias felizes. Abandone a Jesus". Quereis saber o que fez Margarida nessa terrível tentação, nesse perigo iminente de perder a sua alma? Devotamente fez o sinal da cruz, e no mesmo instante o demônio desapareceu. Aproximou-se dela o Anjo da Guarda e consolou-a. Passados alguns dias foi Margarida conduzida ao lugar do martírio. Diante daquela juventude radiante, daquela formosura encantadora, o algoz ficou comovido e a espada vacilou em sua mão. Iria ele desistir de dar o golpe? Iria ela perder a palma do martírio? Margarida fez o sinal da cruz e disse: "Dê o golpe, irmão; a cruz é minha força!" Inclinou a cabeça e colheu a palma do martírio. A cruz deu-lhe a vitória.

V. São Bento e o Sinal da Cruz

Um dia alguns malvados, querendo matar S. Bento, apresentaram-lhe, para beber, uma taça de vinho envenenado. O santo fez o sinal da cruz sobre a taça, e esta quebrou-se, e o vinho mortífero espalhou-se por terra.

VI. Santa Cunegundes e o Sinal da Cruz

Em outro dia, Santa Cunegundes acordou por causa de um excessivo calor que sentia no sono. Fez o sinal da cruz, e o fogo apagou-se, deixando-a ilesa.


VII. Turbilhão muda de direção

A 15 de dezembro de 1502, Cristóvão Colombo, na sua quarta viagem pelo Novo Mundo, estava quase agonizante por causa das grandes tribulações sofridas, quando, de uma das caravelas, partiu um grito desesperado que anunciava perigos extremos. Toda a tripulação foi presa de espanto à vista de um cone imenso, de uma tromba marinha que ligava o mar ao céu, levantando as águas como imensas montanhas. Um vento impetuoso impelia aquele terrível fenômeno contra a pequena frota, que certamente seria afundada num abrir e fechar de olhos. Cristóvão Colombo, quando ouviu o mugido dos ventos e o grito desesperado dos seus, pensou na cena evangélica em que Jesus dormia enquanto o mar em borrasca enchia de pânico os apóstolos. A suave figura do Mestre, que com um gesto solene acalmava as ondas, apresentou-se-lhe à mente cheia de fé, e, reunindo as forças, ele se lançou de joelhos para dizer a Jesus que acreditava no seu poder e lhe suplicava salvá-los do perigo iminente. Foi atendido, porquanto, quando por inspiração divina o comandante traçou contra o turbilhão o sinal da cruz, ele mudou de direção e foi perder-se na imensidade do Atlântico.


02. De quantos modos se faz o sinal da cruz?

R= "O sinal da cruz se faz de dois modos: persignando-se e benzendo-se" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).


03. Que é persignar-se?

R= "Persignar-se é fazer três cruzes com o dedo polegar da mão direita aberta: a primeira na testa; a segunda na boca; a terceira no peito, dizendo: Pelo sinal + da santa cruz, livrai-nos, Deus, + Nosso Senhor, dos nossos + inimigos" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).


04. Para que se fazem estas três cruzes?

R= "Faz-se a primeira cruz na testa, para que Deus nos livre dos maus pensamentos; a segunda, na boca, para que Deus nos livre das más palavras, e a terceira no peito, para que Deus nos livre das más obras, que nascem do coração" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

05. Que é benzer-se?

R= "Benzer-se é fazer uma cruz, com a mão direita aberta, da testa ao peito e do ombro esquerdo ao direito, dizendo: Em nome do Pai, e do Filho, + e do Espírito Santo. Amém" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).


Hoje, infelizmente, milhares de católicos não fazem mais o sinal da cruz; os mesmos "esparramam" os dedos pelo rosto, peito e ombros, parece que estão mais se lavando do que benzendo-se. É preciso fazer o sinal da cruz com o máximo de piedade e respeito: "Tomai cuidado, portanto, para não fazerdes sinais de cruz ridículos. Nunca traçá-los apressadamente; antes que executá-los mal, é melhor omiti-los" (Bem-aventurado José Allamano, A Vida Espiritual, Capítulo 27).

06. Por que o sinal da cruz é o sinal do cristão?

R= "O sinal da cruz é o sinal do cristão: 1º porque serve para distinguir os cristãos dos infiéis, e 2º porque indica os principais mistérios da nossa fé" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

07. É coisa útil fazer freqüentemente o sinal da cruz?

R= "Sim; fazer frequentemente o sinal da cruz é coisa utilíssima, porque este sinal tem a virtude de avivar a fé, repelir as tentações e alcançar-nos de Deus muitas graças" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

"O sinal da cruz é o sinal do cristão, uma prece de louvor à santíssima Trindade, uma profissão de fé. Através do sinal da cruz alcançam-se muitas graças. Certa vez, como faltasse água potável e os passageiros do navio morressem de sede, São Francisco Xavier adoçou água do mar com o sinal da cruz. O frequente deste sinal é recomendado pelo catecismo e por muitos santos" (Bem-aventurado José Allamano, A Vida Espiritual, Capítulo 33).

08. Quando devemos fazer o sinal da cruz?

R= "Devemos fazer o sinal da cruz pela manhã, ao despertar; à noite, ao deitar; antes e depois das refeições; no princípio e no fim de qualquer trabalho; antes de começar a oração; nas tentações e nos perigos" (2º Catecismo da Doutrina Cristã).

"O cristão começa seu dia, suas orações e suas ações com o sinal-da-cruz, 'em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém'. O batizado dedica a jornada à glória de Deus e invoca a graça do salvador, que lhe possibilita agir no Espírito como filho do Pai. O sinal-da-cruz nos fortifica nas tentações e nas dificuldades" (Catecismo da Igreja católica, 2157), e: "A cada ação, sempre que saímos ou voltamos para casa, lavando-nos, vestindo-nos, ao acendermos as luzes, durante a conversação, sempre fazemos o sinal da cruz" (Tertuliano, De Coron. milit., c. III), e também: "A cada ação, a cada passo, que a mão sempre trace a cruz" (São Jerônimo, Epist. 18 ad Eustoch.).

[Destaques nossos]
Fonte: http://www.filhosdapaixao.org.br/conhecer_01_sinal_da_cruz.htm

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